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Conhecer as fases do seu muco cervical é uma ferramenta poderosa de autoconhecimento e planejamento familiar.

É um dia comum e, ao ir ao banheiro, você nota na calcinha ou no papel higiênico uma secreção diferente. É transparente, um pouco elástica e não tem cheiro, muito parecida com uma clara de ovo crua. Essa observação, que pode gerar dúvidas, é na verdade um dos sinais mais importantes que o corpo feminino oferece sobre seu próprio funcionamento.
O que popularmente chamamos de "corrimento clara de ovo" é tecnicamente conhecido como muco cervical fértil. Trata-se de uma secreção natural e saudável, produzida por glândulas localizadas no colo do útero em resposta a flutuações hormonais ao longo do ciclo menstrual.
Sua presença não indica um problema, mas sim o auge da fertilidade. Ele sinaliza que a ovulação, o momento em que um óvulo é liberado pelo ovário, está próxima de acontecer. É importante notar que, mesmo em mulheres que utilizam o dispositivo intrauterino (DIU) hormonal como método contraceptivo, a ovulação, e consequentemente a produção do muco tipo clara de ovo, não é suprimida de forma consistente pelo dispositivo. Portanto, para quem deseja engravidar, este é o momento ideal para ter relações sexuais.
Ginecologistas são os especialistas indicados para o acompanhamento de corrimentos frequentes. A Rede Américas conta com médicos renomados atendendo em vários hospitais do Brasil.
O muco cervical tem um papel fundamental no processo reprodutivo. Durante a maior parte do ciclo, ele é espesso e ácido, criando uma barreira que protege o útero contra infecções.
Contudo, nos dias que antecedem a ovulação, a alta do hormônio estrogênio transforma sua consistência. Ele se torna mais alcalino, aquoso e elástico. Essa mudança cria um ambiente perfeito para os espermatozoides, permitindo que eles sobrevivam por mais tempo e se movam com mais facilidade através do colo do útero em direção ao óvulo.
Este período fértil, essencial para uma possível gravidez, é uma fase curta e bem coordenada. Nela, o revestimento interno do útero, conhecido como endométrio, atinge as condições bioquímicas e físicas ideais para receber e fixar um embrião.
A saúde do ambiente vaginal também é crucial para a fertilidade. Níveis elevados da bactéria Lactobacillus reuteri, por exemplo, foram observados em mulheres que removeram o DIU com o intuito de engravidar, sugerindo um papel protetor dessa espécie para a saúde reprodutiva feminina.
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Observar as mudanças no muco cervical é um método simples de autoconhecimento. Com as mãos devidamente higienizadas, você pode coletar uma pequena amostra da secreção na abertura da vagina. O muco fértil apresenta características bem definidas:
A aparência da secreção vaginal muda de forma previsível ao longo do ciclo. Entender essas fases ajuda a interpretar os sinais do seu corpo com mais clareza. Veja a tabela abaixo:
Essa é uma dúvida muito comum. A resposta é não. O muco com aparência de clara de ovo é um sinal de fertilidade, indicando o melhor momento para tentar engravidar, mas não é um sintoma de gravidez confirmada.
Após a fecundação, os níveis de progesterona se elevam e o muco cervical muda novamente. Ele se torna muito espesso e opaco, formando o chamado tampão mucoso, que sela o colo do útero para proteger o embrião durante a gestação.
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É fundamental saber diferenciar a secreção fisiológica (normal) de um corrimento que pode indicar uma infecção ou outro problema de saúde. Procure um ginecologista se o seu corrimento apresentar as seguintes características:
Esses sinais podem indicar condições como candidíase, vaginose bacteriana ou infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), que necessitam de diagnóstico e tratamento adequados. É relevante saber que, durante os períodos de alta influência de estrogênio, como no período fértil, o ambiente vaginal pode ficar mais suscetível à migração de infecções fúngicas, como a candidíase, da vagina para órgãos mais internos, como o útero e os ovários. Acompanhar seu ciclo é uma atitude de cuidado, mas a avaliação profissional é insubstituível.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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