25/08/2025
Revisado em: 25/08/2025
Dor ao urinar, sensação de queimação constante, idas frequentes ao banheiro e um incômodo persistente na região íntima. Para muitas pessoas, esses são sinais de uma infecção urinária, uma condição comum, mas que causa grande desconforto e, se não tratada, pode levar a complicações sérias.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma condição causada pela proliferação de bactérias em qualquer parte do sistema urinário, que inclui rins, ureteres, bexiga e uretra. Embora possa afetar homens e crianças, é mais comum em mulheres devido a fatores anatômicos.
Em idosos que vivem em casas de repouso, a infecção do trato urinário é a infecção mais diagnosticada. Ela também é a principal causa de prescrições de antibióticos e internações hospitalares nesse grupo.
Na maioria dos casos, a infecção urinária é provocada por bactérias que vivem no intestino, como a Escherichia coli (E. coli). Essas bactérias conseguem chegar à uretra e, em seguida, à bexiga, onde se multiplicam e causam a infecção. Fatores como higiene inadequada, retenção da urina e esvaziamento incompleto da bexiga favorecem a proliferação bacteriana.
A presença de um cateter urinário de demora, por exemplo, aumenta o risco de ITU em 3% a 8% por dia. Além disso, é importante notar que idosos em casas de repouso são quatro vezes mais propensos a ter ITUs causadas por bactérias resistentes a antibióticos.
Vale dizer que condições de saúde como diabetes, que afeta o sistema imunológico, ou a presença de pedras nos rins, que podem obstruir o fluxo de urina, também aumentam o risco de infecções. O uso de certos produtos de higiene feminina que irritam a região íntima pode, igualmente, contribuir para o problema.
As mulheres são as mais afetadas pela infecção urinária devido à sua anatomia. A uretra feminina é mais curta e fica próxima ao ânus, o que facilita a migração de bactérias. Além disso, as alterações hormonais, como as que ocorrem na gravidez ou na menopausa, podem tornar o trato urinário mais vulnerável.
Idosos também apresentam maior risco, tanto homens quanto mulheres. Neles, a diminuição da imunidade, o uso de fraldas, a menor mobilidade e o esvaziamento incompleto da bexiga são fatores que contribuem para o desenvolvimento da infecção.
Pessoas com infecções urinárias de repetição, por sua vez, podem ter particularidades que exigem investigação e manejo específicos com um médico.
Em adultos com espinha bífida, por exemplo, a infecção urinária é uma fonte significativa de problemas de saúde. Esses indivíduos são nove vezes mais propensos a procurar o pronto-socorro devido a uma ITU em comparação com pessoas sem a condição, segundo um estudo publicado na Translational Andrology and Urology.
Nesses pacientes, a colonização bacteriana é comum, e a identificação da infecção pode ser desafiadora devido à dificuldade em interpretar sintomas vagos.
A boa notícia é que grande parte das infecções urinárias pode ser evitada com a adoção de medidas simples e hábitos saudáveis no dia a dia. A prevenção é a melhor estratégia para manter o sistema urinário saudável.
Manter-se hidratado é uma das medidas preventivas mais eficazes. Beber água em quantidade suficiente (pelo menos 2 litros por dia, salvo contraindicação médica) estimula a produção de urina. Uma urina diluída e abundante ajuda a "lavar" as vias urinárias, eliminando bactérias antes que elas possam se fixar e proliferar.
É fundamental beber água ao longo do dia, não apenas quando sentir sede. Pequenos goles frequentes são mais eficazes do que grandes quantidades de uma vez só. Em ambientes de cuidado, como casas de repouso, a hidratação deve ser uma prioridade central, com recursos e rotinas que apoiem a ingestão regular de líquidos pelos residentes.
A higiene adequada da região genital é crucial para prevenir a entrada de bactérias no trato urinário. Após usar o banheiro, é essencial limpar-se sempre da frente para trás, especialmente nas mulheres. Esse cuidado evita que bactérias presentes nas fezes sejam levadas para a uretra.
Para a limpeza diária, utilize água e sabão neutro. Evite duchas vaginais e produtos perfumados, como sabonetes íntimos com fragrâncias fortes, desodorantes femininos ou talcos, pois eles podem irritar a uretra e a vagina, alterando o pH local e favorecendo o crescimento bacteriano. A umidade excessiva também deve ser evitada, secando bem a região após a lavagem.
Segurar a urina por longos períodos permite que as bactérias presentes na bexiga se multipliquem. Por isso, é fundamental ir ao banheiro sempre que sentir vontade, sem adiar. Além disso, procure esvaziar completamente a bexiga a cada micção.
Para algumas pessoas, como idosos ou com bexiga hiperativa, pode ser útil estabelecer horários regulares para urinar, mesmo sem sentir forte necessidade. Isso ajuda a manter a bexiga sempre vazia e reduz o tempo de permanência da urina.
A escolha das roupas pode influenciar a saúde íntima. Opte por roupas íntimas de algodão, pois este tecido permite que a pele respire e absorve a umidade, criando um ambiente menos favorável para a proliferação de bactérias.
Evite peças sintéticas e muito apertadas, como calças jeans justas ou leggings, que abafam a região genital, retendo calor e umidade.
Trocar a roupa íntima diariamente e, se necessário, mais de uma vez ao dia, especialmente em climas quentes ou após exercícios físicos, também é uma medida importante. Durante o período menstrual, troque os absorventes higiênicos com frequência, seguindo as recomendações do fabricante.
A relação sexual é um fator de risco conhecido para infecções urinárias, pois pode introduzir bactérias na uretra. Para minimizar esse risco, é altamente recomendado urinar logo após o ato sexual.
Esse hábito ajuda a eliminar as bactérias que possam ter sido empurradas para dentro da uretra durante a atividade.
Beber um copo de água antes da relação também pode ser útil, pois estimula a necessidade de urinar logo depois. Manter uma boa higiene antes e depois da relação também contribui para a prevenção.
Além dos sabonetes perfumados, outros produtos como espermicidas, diafragmas e cremes vaginais podem alterar a flora natural da região ou causar irritação, aumentando a vulnerabilidade a infecções. Se você utiliza esses produtos e tem infecções recorrentes, converse com seu médico sobre alternativas.
É importante, também, evitar o uso excessivo de protetores diários, que podem abafar a região e reter umidade, criando um ambiente propício para bactérias e fungos.
Para quem sofre com infecções urinárias recorrentes, a frustração é comum. Nessas situações, as medidas preventivas gerais são ainda mais importantes, mas pode ser necessário um acompanhamento médico mais aprofundado para investigar as causas e definir estratégias adicionais.
Quando as infecções urinárias se tornam frequentes (por exemplo, três ou mais episódios em um ano), o médico pode solicitar exames adicionais para investigar possíveis causas subjacentes.
Podem ser avaliadas condições como cálculos renais, diabetes descompensado, problemas de esvaziamento da bexiga, alterações anatômicas ou hormonais (principalmente na menopausa) e até a saúde intestinal, pois a constipação pode influenciar.
É fundamental que o paciente siga todas as orientações do médico, mesmo que a infecção seja de repetição. O tratamento adequado é sempre o primeiro passo, seguido por uma estratégia de prevenção personalizada.
Para casos de recorrência, além dos hábitos já mencionados, algumas abordagens podem ser consideradas sob orientação médica:
No entanto, revisões sistemáticas em populações com bexiga neurogênica, por exemplo, não encontraram benefício significativo no uso de cranberry para prevenção de ITU, conforme apontado em um estudo da Translational Andrology and Urology.
Estudos sobre o uso de probióticos para prevenção de ITU em pessoas com bexiga neurogênica são limitados, e a evidência em outras populações é mista.
A profilaxia antibiótica oral de longo prazo não é rotineiramente recomendada para prevenção de ITU em adultos com espinha bífida, devido ao risco de resistência antimicrobiana e eventos adversos.
Terapias como a instilação intravesical de gentamicina ou ácido hialurônico têm mostrado resultados promissores na redução de ITUs em estudos limitados, podendo ser consideradas em casos específicos, de acordo com a Translational Andrology and Urology.
Embora as dicas gerais de prevenção sejam válidas para todos, algumas particularidades devem ser observadas em grupos específicos para maximizar a proteção contra infecções urinárias.
A anatomia feminina favorece a infecção. Portanto, o cuidado com a higiene após evacuar (limpeza da frente para trás) e o ato de urinar após as relações sexuais são ainda mais cruciais para as mulheres.
Durante a menopausa, a queda dos níveis de estrogênio pode levar à secura e atrofia da mucosa vaginal e uretral, tornando-as mais suscetíveis a infecções. Nesses casos, a avaliação ginecológica para discutir terapias locais pode ser benéfica.
Idosos podem ter menor percepção da sede, o que leva à desidratação e urina mais concentrada. Estimular a ingestão regular de líquidos é essencial. Problemas de mobilidade ou cognitivos podem dificultar o acesso ao banheiro, resultando em retenção de urina. Nesses casos, o auxílio para ir ao banheiro e o estabelecimento de rotinas podem ser necessários.
Em casas de repouso, a equipe de cuidadores desempenha um papel vital na prevenção e reconhecimento da ITU, integrando essas ações nos cuidados diários e personalizados, conforme um estudo publicado na BMJ Quality & Safety. A educação contextualizada e a liderança ativa dos gerentes são essenciais para capacitar a equipe a adotar uma abordagem proativa.
Além disso, doenças como a hiperplasia prostática benigna em homens idosos podem dificultar o esvaziamento completo da bexiga, necessitando de tratamento médico.
A gravidez causa alterações hormonais e compressão da bexiga pelo útero em crescimento, o que pode dificultar o esvaziamento completo da bexiga e favorecer o refluxo da urina. Gestantes têm maior risco de ITU e, por isso, a prevenção é ainda mais vital.
O acompanhamento pré-natal é fundamental, e a triagem regular para infecção urinária assintomática (sem sintomas) é comum para evitar complicações graves como o parto prematuro.
Mesmo com todas as medidas preventivas, as infecções urinárias podem ocorrer. É de suma importância reconhecer os sintomas e procurar ajuda médica rapidamente para um diagnóstico e tratamento adequados. A automedicação pode mascarar o problema e levar a complicações.
Fique atento aos seguintes sinais e sintomas que podem indicar uma infecção urinária:
Em idosos, os sintomas podem ser mais atípicos, como confusão mental, queda ou fraqueza súbita, sem os sinais clássicos de dor ao urinar. Em pessoas idosas, a ITU pode se apresentar com sintomas não específicos, o que dificulta o reconhecimento e pode levar a um diagnóstico excessivo, conforme um estudo na BMJ Quality & Safety. Isso reforça a necessidade de observação atenta e avaliação médica.
Ao notar qualquer um desses sintomas, procure um médico imediatamente. O diagnóstico é geralmente feito através de um exame de urina (cultura de urina), que identifica a bactéria causadora e indica o antibiótico mais eficaz para o tratamento.
O tratamento precoce evita que a infecção se agrave e atinja os rins, o que poderia levar a uma pielonefrite, uma condição mais séria que exige tratamento mais complexo e, por vezes, internação hospitalar.
É importante ressaltar que o tratamento de bacteriúria assintomática, ou seja, a presença de bactérias na urina sem sintomas de infecção, não é recomendado rotineiramente para a prevenção de ITU.
Essa prática pode levar ao uso desnecessário de antibióticos e contribuir para o aumento da resistência antimicrobiana, um desafio crescente na saúde global, como destacado em estudos sobre o tema na Antimicrobial Resistance and Infection Control e Nature reviews. Urology.
Lembre-se: somente um profissional de saúde pode diagnosticar e prescrever o tratamento correto para a infecção urinária. Siga todas as orientações médicas e complete o ciclo de medicamentos, mesmo que os sintomas melhorem antes do fim do tratamento.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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