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Como funciona a mamografia e qual a sua importância para a saúde da mulher?

A mamografia é um dos exames mais importantes para a saúde feminina, essencial na luta contra o câncer de mama. Entenda o procedimento e sua relevância.

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Numa consulta de rotina, seu médico pode ter conversado sobre a importância da mamografia, especialmente se você já passou dos 40 anos. Mas o que exatamente é esse exame e por que ele é tão relevante para a saúde da mulher?

Mamografia: mais que um exame, um ato de cuidado

A mamografia é um tipo de exame de imagem especializado que utiliza baixas doses de raios-X para capturar imagens detalhadas do tecido mamário. Ela é considerada o método mais eficaz para o rastreamento e diagnóstico de doenças da mama, com foco principal no câncer.

Em 2021, o câncer de mama superou o câncer de pulmão como o tipo mais diagnosticado globalmente, representando um fardo significativo, especialmente entre as mulheres. Programas de rastreamento, como a mamografia, são medidas eficazes para detectar a doença em estágio inicial e melhorar as taxas de sobrevivência.

O aparelho utilizado é o mamógrafo, que foi desenvolvido especificamente para este fim. Este equipamento permite visualizar estruturas internas das mamas que não são perceptíveis ao toque ou em outros exames. Assim, a mamografia funciona como uma poderosa ferramenta de prevenção e detecção.

Para que serve a mamografia?

A principal função da mamografia é identificar alterações nas mamas antes mesmo que elas possam ser sentidas ao toque. Isso inclui pequenos nódulos, microcalcificações ou outras assimetrias que podem indicar a presença de um câncer em estágio inicial.

É importante notar que a sensibilidade da mamografia pode ser menor em mulheres com mamas densas, uma característica comum que pode dificultar a visualização de certas alterações. Nesses casos, exames complementares podem ser necessários para uma avaliação mais completa.

A detecção precoce é vital, pois permite que o tratamento seja iniciado rapidamente, aumentando significativamente as chances de cura. A mamografia serve tanto para o rastreamento (exames de rotina em mulheres sem sintomas) quanto para o diagnóstico (exames em mulheres com queixas ou suspeitas clínicas).

Como é feito o exame da mamografia?

Entender o passo a passo do exame pode ajudar a diminuir a ansiedade e tornar a experiência mais tranquila. O procedimento é rápido e segue um protocolo bem estabelecido para garantir a segurança e a qualidade das imagens.

Preparação para o exame de mamografia

A preparação para a mamografia é simples, mas essencial. No dia do exame, evite usar desodorante, antitranspirante, talco, creme ou perfume nas axilas e mamas. Esses produtos podem conter substâncias metálicas que aparecem nas imagens e podem ser confundidas com calcificações, comprometendo o resultado.

Opte por roupas confortáveis e de duas peças. Isso facilita a remoção da parte de cima do vestuário durante o procedimento. Informe o técnico ou médico sobre quaisquer implantes mamários, cirurgias prévias ou sintomas que você possa estar sentindo.

Passo a passo do procedimento

Durante o exame, você ficará em pé ou sentada em frente ao mamógrafo. O técnico irá posicionar uma de suas mamas sobre uma plataforma. Em seguida, uma segunda placa será abaixada gradualmente para comprimir a mama. Essa compressão é necessária para:

  • Espalhar o tecido mamário, permitindo que todas as estruturas sejam visualizadas.
  • Reduzir a espessura da mama, o que diminui a dose de radiação necessária.
  • Imobilizar a mama, evitando movimentos que poderiam borrar a imagem.

Serão obtidas duas imagens de cada mama, geralmente uma vista de cima para baixo e outra de lado. O procedimento completo, incluindo a preparação e a captura das imagens, geralmente leva cerca de 15 a 30 minutos.

A compressão na mamografia: dói?

É comum que as mulheres se preocupem com o desconforto ou dor durante a mamografia. A compressão da mama é a parte que mais gera apreensão. 

A sensação pode variar de mulher para mulher; algumas relatam apenas um leve desconforto ou pressão, enquanto outras podem sentir um pouco mais de dor, especialmente se as mamas estiverem sensíveis.

Para minimizar o desconforto, é aconselhável agendar o exame para um período em que as mamas estejam menos sensíveis, como após o período menstrual. 

Além disso, comunicar ao técnico qualquer dor intensa pode ajudar, pois ele poderá ajustar a compressão, embora ela seja fundamental para a qualidade do exame.

Quais os tipos de mamografia?

A tecnologia da mamografia evoluiu bastante ao longo dos anos, oferecendo diferentes modalidades para um diagnóstico cada vez mais preciso.

Mamografia convencional

A mamografia convencional utiliza um filme radiográfico para registrar as imagens das mamas. Após a exposição aos raios-X, o filme precisa ser processado quimicamente para que as imagens se tornem visíveis. 

Apesar de ainda ser utilizada, ela oferece menos recursos de manipulação das imagens em comparação com as tecnologias mais recentes.

Mamografia digital

Na mamografia digital, as imagens são capturadas por detectores eletrônicos e convertidas em dados digitais. 

Isso permite que as imagens sejam visualizadas instantaneamente em um computador, ajustadas em brilho e contraste, e armazenadas eletronicamente. As vantagens incluem uma dose de radiação geralmente menor e a possibilidade de transmissão e arquivamento mais eficientes.

Tomossíntese mamária (mamografia 3D)

A tomossíntese mamária, também conhecida como mamografia 3D, é a tecnologia mais avançada. O mamógrafo realiza múltiplos disparos de raios-X em diferentes ângulos, criando uma série de imagens em cortes finos da mama. Essas imagens são então reconstruídas por um computador, formando uma visão tridimensional.

Esta técnica é especialmente útil para mulheres com mamas densas, pois ajuda a identificar lesões que poderiam estar "escondidas" por sobreposição de tecidos na mamografia 2D. A tomossíntese aumenta a precisão do diagnóstico e reduz a necessidade de exames adicionais.

Para mulheres com mamas densas, exames complementares como ultrassonografia, tomossíntese mamária (DBT) ou ressonância magnética (RM) podem ser adicionados à mamografia, pois tendem a detectar mais cânceres. 

Por exemplo, em mulheres com mamas extremamente densas, a ressonância magnética após uma mamografia negativa demonstrou alta precisão, identificando cerca de 16,5 cânceres a cada 1.000 exames realizados.

A radiação da mamografia é perigosa?

A preocupação com a exposição à radiação é natural, mas é importante entender que a mamografia utiliza doses muito baixas e controladas de raios-X. Os benefícios da detecção precoce superam os riscos potenciais dessa exposição mínima.

Mitos e verdades sobre a radiação

A radiação da mamografia é ionizante, mas sua dose é equivalente à radiação natural a que somos expostos no dia a dia. Ela não se acumula no corpo; uma vez que o exame termina, a radiação se dissipa. Organizações de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), reafirmam a segurança do procedimento para o rastreamento.

Vale ressaltar que os equipamentos modernos de mamografia são constantemente aprimorados para emitir a menor dose de radiação possível, mantendo a qualidade da imagem necessária para um diagnóstico preciso. Conversar com seu médico sobre suas preocupações pode trazer ainda mais tranquilidade.

Quando fazer a mamografia e qual a sua frequência?

A recomendação para o início e a frequência da mamografia pode variar ligeiramente, mas diretrizes gerais são amplamente aceitas por sociedades médicas.

Idade recomendada para iniciar o rastreamento

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Mastologia e o Colégio Brasileiro de Radiologia recomendam que a mamografia de rastreamento seja realizada anualmente a partir dos 40 anos para todas as mulheres. Este rastreamento é contínuo, ou seja, deve ser mantido por toda a vida, enquanto a mulher tiver expectativa de vida superior a 7 anos.

Embora as diretrizes variem globalmente, a maioria recomenda o rastreamento mamográfico para mulheres de risco médio entre 40 e 74 anos, sendo a faixa etária de 50 a 69 anos considerada ideal para recomendações mais fortes. Em 2019, aproximadamente 82% dos cânceres de mama nos Estados Unidos foram diagnosticados em mulheres com 50 anos ou mais, reforçando a importância do rastreamento nessa faixa etária.

O modelo de rastreamento "tamanho único" baseado apenas na idade tem suas limitações. Por isso, abordagens personalizadas, que consideram o risco individual de cada mulher, estão ganhando destaque. Essas estratégias buscam otimizar os benefícios e reduzir os possíveis danos do rastreamento.

O Ministério da Saúde, por sua vez, recomenda o exame a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos. É crucial discutir com seu médico qual a melhor periodicidade para o seu caso individual, considerando seu histórico de saúde e fatores de risco.

Fatores de risco que indicam a mamografia antes dos 40 anos

Em algumas situações, a mamografia pode ser indicada antes dos 40 anos. Isso ocorre principalmente para mulheres com alto risco de desenvolver câncer de mama, como:

  • Histórico familiar de câncer de mama ou ovário em parentes de primeiro grau (mãe, irmã, filha) antes dos 50 anos.
  • Presença de mutações genéticas comprovadas (BRCA1, BRCA2).
  • História de radioterapia no tórax em idade jovem.
  • Algumas doenças mamárias benignas que aumentam o risco.

A triagem personalizada considera uma combinação de fatores, incluindo variantes genéticas comuns, mutações em genes de suscetibilidade (como BRCA1 e BRCA2), densidade mamográfica e histórico familiar da doença. 

Mulheres geralmente veem com bons olhos a ideia de um rastreamento mais frequente se estiverem em alto risco. No entanto, a aceitação de um rastreamento menos intenso para aquelas com baixo risco é menor, embora cerca de metade das participantes de um estudo estivesse disposta a aceitar.

Nesses casos, a idade de início do rastreamento e a frequência dos exames devem ser definidas individualmente pelo médico, podendo incluir outros exames complementares, como ultrassonografia e ressonância magnética das mamas.

Como são interpretados os resultados da mamografia?

Após a realização do exame, as imagens são analisadas por um médico radiologista especializado em mama. Este profissional busca por quaisquer alterações, como nódulos, assimetrias ou calcificações. 

O resultado é descrito em um laudo, que geralmente utiliza a classificação BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) para padronizar os achados.

O que esperar após o exame

O laudo da mamografia não sai na hora, pois exige uma análise cuidadosa. Após a interpretação, o resultado será entregue a você ou enviado diretamente ao seu médico solicitante. 

Dependendo do resultado, o médico pode indicar apenas o acompanhamento de rotina, exames complementares (como ultrassonografia ou biópsia) ou o encaminhamento para um especialista.

Estudos indicam que muitas mulheres têm pouco conhecimento sobre os benefícios e os possíveis danos do rastreamento mamográfico, especialmente em relação a falsos positivos e sobrediagnóstico. 

Contudo, quando a informação sobre o risco individual e as recomendações de rastreamento são comunicadas de forma clara, a compreensão tende a ser alta, e a intenção de seguir as recomendações é muito positiva.

É fundamental discutir o laudo com seu médico. Ele é o profissional mais indicado para esclarecer todas as dúvidas, explicar os achados e definir os próximos passos para a sua saúde mamária.

 

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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