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Como diminuir a acidez do estômago: dicas simples

Aquela queimação incômoda pode ser controlada com pequenas mudanças; veja como aliviar a acidez e ter mais bem-estar no seu dia a dia.

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Aquela dor no estômago que se manifesta como queimação ou um peso após a refeição é uma das queixas mais comuns da rotina. Justamente por sua frequência, muitas vezes o sintoma é ignorado. Porém, entender como diminuir a acidez do estômago é o que permite encontrar o alívio e o cuidado corretos.

Por que o estômago produz ácido e quando ele se torna um problema?

O nosso estômago produz o potente ácido clorídrico por duas razões principais: ele é necessário para quebrar as proteínas dos alimentos que comemos e para criar um ambiente hostil que elimina bactérias e outros micro-organismos que ingerimos. Dessa forma, ele é um agente da digestão e uma barreira de defesa ao mesmo tempo.

Para não ser danificado por essa substância, o estômago possui um escudo natural: uma espessa camada de muco que reveste sua parede interna, neutralizando a acidez. A queimação e a dor no estômago surgem quando esse equilíbrio delicado é quebrado.

Isso pode acontecer por uma produção excessiva de ácido, frequentemente estimulada pelo estresse, pelo jejum prolongado ou pelo consumo de certos alimentos. Outra causa comum é uma falha na barreira protetora, que pode ser enfraquecida pelo uso de anti-inflamatórios, pelo álcool ou pelo tabagismo.

Quando a acidez supera a proteção, a parede do estômago fica irritada e inflamada. É essa agressão que causa a sensação de queimação (azia), o principal sintoma de condições como gastrite e refluxo.

Quais alimentos ajudam a neutralizar a acidez estomacal?

Durante uma crise de queimação, a alimentação pode ajudar a acalmar o sistema digestivo. A estratégia é optar por alimentos com baixa acidez, que contribuem para neutralizar o excesso de ácido e proteger a mucosa do estômago.

Frutas de baixa acidez, como banana, melão e mamão, são boas opções. Além de ser naturalmente alcalina, a banana contém triptofano e fibras solúveis que estimulam a produção de muco protetor no estômago. Já o melão ajuda a diluir temporariamente a acidez por ser rico em água, enquanto o mamão contém papaína, uma enzima que auxilia na digestão de proteínas, evitando sobrecarga gástrica.

No grupo dos vegetais, opções como brócolis, couve, batata e cenoura têm efeito alcalino que ajuda a neutralizar o excesso de ácido. A couve pode entrar crua em sucos ou refogada levemente para preservar seus antioxidantes. Por sua vez, a batata cozida, servida amassada e sem temperos fortes, costuma ser bem tolerada durante crises de queimação.

Alimentos ricos em fibras, como aveia e arroz integral, auxiliam na absorção da parte do ácido presente no estômago e promovem um trânsito intestinal mais regular, o que reduz o refluxo.

Por suas propriedades anti-inflamatórias e antieméticas (reduz náuseas e vômitos), o gengibre também pode ser um aliado no alívio da acidez. Pode ser usado fresco em sucos, ralado sobre refeições ou em forma de chá, a fim de reduzir náuseas e a sensação de estômago pesado. 

Para potencializar o efeito dos alimentos citados, é importante evitar opções que estimulem a produção de ácido, como frutas cítricas, café, bebidas alcoólicas e preparações muito gordurosas.

Quais hábitos do dia a dia pioram a queimação?

Muitas vezes, a causa da acidez excessiva está em hábitos da rotina que podem ser modificados. Por exemplo, a forma e o momento em que comemos têm um impacto direto. 

O jejum prolongado deixa o ácido gástrico agir diretamente sobre a parede do estômago vazia, o que pode causar dor e irritação. Em contrapartida, as refeições muito volumosas aumentam a pressão dentro do órgão, o que pode forçar a válvula do esôfago a se abrir e permitir o retorno do ácido.

A postura após as refeições também é um fator decisivo. O hábito de deitar logo após comer é um dos principais vilões, pois na posição horizontal a gravidade deixa de atuar como uma barreira natural contra o refluxo e facilita o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago.

Já substâncias como a nicotina (do cigarro) e o álcool são agressores diretos do sistema digestivo. Elas relaxam o esfíncter esofágico inferior, a válvula que separa o esôfago do estômago, o que permite que o conteúdo ácido retorne com mais facilidade. 

Outros itens, como a cafeína, as frituras e os alimentos muito condimentados, podem aumentar a produção de ácido ou retardar o esvaziamento do estômago, prolongando a sensação de desconforto.

Acidez, gastrite e refluxo: qual a relação entre eles?

A acidez sentida como azia ou queimação não é uma doença em si, mas sim um sintoma. Ela é a manifestação de que algo está irritando a parede do sistema digestivo, e pode estar ligada a duas condições principais, que muitas vezes se confundem.

Na gastrite, o problema está na parede do próprio estômago. A inflamação da mucosa gástrica, é causada com frequência pela bactéria Helicobacter pylori, pelo uso prolongado de anti-inflamatórios ou por hábitos alimentares. 

Assim, a inflamação deixa o estômago mais sensível à ação do seu próprio ácido. Além da queimação, é comum haver dor localizada na parte superior do abdômen, sensação de estômago cheio, náuseas e, em casos mais graves, vômitos.

No refluxo gastroesofágico, a parede do estômago pode estar saudável. O problema está na válvula (esfíncter) que separa o estômago do esôfago. Quando essa válvula não funciona bem, o ácido “escapa” para o esôfago, que não tem proteção contra ele. Isso provoca a queimação que sobe em direção ao peito, podendo vir acompanhada de gosto amargo na boca, tosse seca, rouquidão e piora ao deitar.

Embora a sensação inicial para o paciente possa ser parecida, a origem do problema é diferente em cada caso, assim como o tratamento. O que ajuda a proteger o estômago da gastrite pode não resolver um quadro de refluxo, e vice-versa. Por isso, a avaliação médica é necessária para um diagnóstico e tratamento corretos.

Quando a acidez persistente exige uma investigação médica?

Uma queimação ocasional pode ser aliviada com as dicas que mencionamos. Porém, a persistência do sintoma é um sinal de que o corpo precisa de uma avaliação mais aprofundada. 

A orientação é procurar um clínico geral ou um gastroenterologista quando a acidez se torna recorrente, acontecendo duas ou mais vezes por semana, ou quando não melhora com as mudanças de hábitos.

A avaliação médica se torna ainda mais necessária na presença de "sinais de alarme". De acordo com as diretrizes da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), esses são sintomas que, associados à queimação, podem indicar condições mais sérias e exigem uma investigação, muitas vezes com a realização de uma endoscopia. 

Logo, fique atento se a acidez vier acompanhada de:

  • Dificuldade ou dor para engolir (disfagia);
  • Perda de peso não intencional;
  • Vômitos persistentes, especialmente com a presença de sangue;
  • Anemia, que pode se manifestar como cansaço e palidez;
  • Fezes com coloração muito escura, semelhante a borra de café, que pode indicar sangramento.

O desconforto de uma dor no estômago não deve ser uma parte normal da sua rotina. Apesar da maioria das causas serem simples, a persistência do sintoma é um sinal do seu corpo pedindo atenção. 

Investigar a causa é o primeiro passo para recuperar o bem-estar físico e também a tranquilidade nas suas escolhas diárias.

Referências bibliográficas:

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE GASTROENTEROLOGIA (FBG). Dispepsia Funcional. São Paulo: FBG, [s.d.]. Disponível em: https://amb.org.br/files/_BibliotecaAntiga/refluxo-gastroesofagico-diagnostico-e-tratamento.pdf. Acesso em: 15 ago. 2025

MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf. Acesso em: 15 ago. 2025.