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Como identificar e tratar o câncer no sistema linfático

Encontrar um caroço indolor no pescoço ou na axila pode gerar uma dúvida silenciosa. entenda os sinais do câncer no sistema linfático e quando é preciso procurar avaliação médica.

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Um cenário comum e que costuma gerar apreensão acontece durante o banho ou ao se vestir, quando você percebe um caroço no pescoço ou na axila que não estava ali antes. Ele não dói, o que, paradoxalmente, pode levar à decisão de "esperar para ver se some". 

No entanto, esse pode ser um dos primeiros sinais do câncer no sistema linfático, uma doença que, embora séria, apresenta altas chances de tratamento quando diagnosticada precocemente. 

O que é o sistema linfático e qual sua função?

Para compreender os sintomas do linfoma, como os caroços que podem surgir no corpo, o primeiro passo é entender o que é e como funciona o sistema linfático. Pense nele como uma segunda rede de circulação, paralela à do sangue, dedicada à defesa e à "limpeza" do organismo. 

Diferente do sistema circulatório, a rede linfática não funciona em um circuito fechado, ela atua como um sistema de drenagem de via única a linfa é o líquido que extravasa dos vasos sanguíneos para os tecidos e precisa ser recolhido e devolvido à circulação. 

A primeira função do sistema linfático, portanto, é realizar essa coleta, o que impede o acúmulo de líquidos e a formação de inchaços (edemas).

A segunda função, e a mais importante neste contexto, é a defesa. No trajeto de volta ao sangue, a linfa é obrigada a passar por diversas estações de filtragem: os linfonodos (ou gânglios linfáticos), que funcionam como bases de operações do sistema imunológico, repletos de linfócitos (um tipo de glóbulo branco) prontos para identificar e combater invasores, como vírus e bactérias. 

Logo, quando você tem uma infecção de garganta e sente uma "íngua" dolorida no pescoço, é o seu sistema linfático em plena ação, com os linfócitos se multiplicando para neutralizar a ameaça.

Além dos linfonodos, outros órgãos fazem parte desse complexo de defesa, como o baço (que filtra o sangue), o timo (onde os linfócitos amadurecem) e as amígdalas, que atuam como sentinelas na entrada do sistema respiratório e digestivo.

Como surge o câncer linfático?

O câncer no sistema linfático, conhecido clinicamente como linfoma, tem origem em uma falha no ciclo de vida de um linfócito, um processo que, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), dá origem a mais de 14 mil novos casos de linfoma a cada ano no Brasil. 

Tudo começa quando uma dessas células de defesa sofre uma mutação em seu material genético. 

Essa alteração faz com que o linfócito perca a capacidade de morrer no tempo programado, através de um processo natural de autodestruição celular chamado apoptose. Imortalizada e fora de controle, essa célula passa a se multiplicar incessantemente e gera milhões de cópias idênticas e disfuncionais.

Esse exército de linfócitos anormais começa a se acumular nos linfonodos, que, congestionados, aumentam de tamanho e formam os caroços (ou ínguas) indolores característicos da doença. 

A partir desses gânglios, as células cancerígenas podem se espalhar e comprometer não apenas a capacidade do sistema linfático de defender o corpo, mas também atingir outros órgãos

Com o tempo, essa proliferação não apenas compromete a capacidade do sistema linfático de defender o corpo, mas as células cancerígenas podem também se espalhar para outros grupos de gânglios, como a medula óssea, o baço e outros órgãos.

Quais são os principais sintomas do câncer no sistema linfático?

O sinal de alerta mais comum do linfoma é o surgimento de um linfonodo aumentado, percebido como um caroço ou íngua, geralmente no pescoço, nas axilas ou na virilha. 

Diferente dos gânglios que incham por uma infecção, que costumam ser doloridos e desaparecem em alguns dias, o linfonodo afetado pelo linfoma tem características distintas: ele é firme, móvel, geralmente indolor ao toque e, o mais importante, persistente, não diminuindo de tamanho com o passar das semanas.

Além desse sinal localizado, o câncer no sistema linfático pode provocar sintomas que afetam o corpo todo, conhecidos pelos médicos como "sintomas B", são eles:

  • Febre, que pode ser definida como uma temperatura acima de 38°C, que surge sem uma causa infecciosa aparente, podendo ir e vir ao longo dos dias. Ela é uma resposta do organismo às substâncias inflamatórias que as células do linfoma liberam;
  • Suor noturno intenso, a ponto de encharcar roupas e lençóis, mesmo em noites com temperatura amena. Esse sintoma também está ligado ao desequilíbrio que a doença causa no centro de regulação de temperatura do corpo;
  • Perda de peso inexplicada, definida como a perda de mais de 10% do peso corporal nos últimos seis meses, sem que a pessoa esteja fazendo dieta ou exercícios para esse fim.

Outros sinais podem estar presentes e se somar a esse quadro, como um cansaço extremo e persistente, muito diferente da fadiga comum, que não melhora com o repouso. A coceira intensa pelo corpo (prurido), sem uma causa dermatológica aparente, e perda de apetite também podem ocorrer.

A presença de um ou mais desses sinais justifica uma avaliação médica, na qual um exame de sangue para detectar câncer costuma ser um dos primeiros passos para investigar a saúde geral do paciente.

Quais exames ajudam no diagnóstico do linfoma?

Diante da suspeita, a investigação médica segue um caminho bem definido para obter um diagnóstico preciso. O processo começa no consultório, com uma avaliação clínica e exame físico detalhados, nos quais o médico apalpa os gânglios do pescoço, axilas e virilha e também verifica se há aumento do baço ou do fígado.

Em seguida, para avaliar a saúde geral e procurar por pistas da doença, são solicitados exames de sangue. Essa investigação inclui tanto a análise das células sanguíneas no teste laboratorial para detectar câncer, por meio do hemograma, quanto a verificação de marcadores de atividade da doença, como a desidrogenase lática (LDH), cujos níveis podem estar elevados.

O próximo passo é mapear a extensão da doença no corpo com os exames de imagem, que são feitos comumente através da tomografia computadorizada, que oferece um mapa anatômico dos linfonodos

Hoje o PET-CT é frequentemente utilizado por ser mais preciso. Ele une a imagem da tomografia a um marcador de glicose que "acende" as áreas com alta atividade celular, mostrando ao médico exatamente quais gânglios estão ativos pela doença.

De qualquer forma, é importante enfatizar que a confirmação definitiva só é possível por meio da biópsia excisional, um pequeno procedimento cirúrgico no qual o gânglio inteiro é retirado para ser analisado por um médico patologista. 

Apenas esse exame microscópico do tecido pode afirmar com certeza que se trata de um linfoma e, mais importante, determinar seu "nome e sobrenome", ou seja, o subtipo exato, informação essencial para definir o tratamento.

Existem diferentes tipos de câncer linfático?

Sim, e essa distinção é o ponto mais importante após a confirmação do diagnóstico, pois ela define todo o caminho do tratamento e o prognóstico. A análise da biópsia funciona como um "documento de identidade" do tumor. Nela, o patologista busca por uma célula muito específica, chamada célula de Reed-Sternberg, que divide os linfomas em dois grandes grupos.

Linfoma de Hodgkin (LH)

Quando a célula de Reed-Sternberg é identificada na biópsia, o diagnóstico é de linfoma de Hodgkin. Este é o tipo menos comum e se destaca por um comportamento bastante previsível: a doença costuma se espalhar de forma ordenada e contínua, progredindo de um grupo de linfonodos para os gânglios vizinhos.

Essa característica facilita o planejamento do tratamento. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a maioria dos pacientes com linfoma de Hodgkin pode ser curada com as terapias atuais. Além disso, ele é mais frequente em dois picos de idade: em adultos jovens (entre 20 e 30 anos) e em pessoas com mais de 55 anos.

Linfoma não-Hodgkin (LNH)

Este grupo engloba todos os outros tipos de câncer no sistema linfático que não apresentam a célula de Reed-Sternberg. 

O linfoma não-Hodgkin é muito mais comum que o de Hodgkin e representa um universo vasto e diverso, com mais de 60 subtipos diferentes. Essa variedade faz com que o comportamento da doença, o tratamento e o prognóstico possam variar drasticamente de uma pessoa para outra.

Para organizar essa complexidade e guiar as decisões terapêuticas, os médicos frequentemente classificam esses linfomas pela velocidade de seu crescimento:

Como é feito o tratamento para câncer no sistema linfático?

O tratamento do linfoma evoluiu bastante nas últimas décadas e é definido com base no tipo exato de linfoma, no estágio da doença e nas condições de saúde do paciente. 

As abordagens mais comuns incluem:

  • Quimioterapia: continua sendo a base do tratamento para a maioria dos linfomas, utilizando medicamentos para destruir as células cancerígenas;
  • Radioterapia: usa radiação de alta energia para eliminar as células do câncer em áreas específicas do corpo;
  • Imunoterapia e terapia-alvo: são tratamentos mais modernos que utilizam medicamentos "inteligentes", capazes de reconhecer e atacar as células do linfoma de forma mais específica, muitas vezes com menos efeitos colaterais;
  • Transplante de medula óssea: é uma opção para casos mais agressivos ou quando a doença retorna após o tratamento inicial.

É importante lembrar que os tratamentos podem causar efeitos colaterais, e conhecer os efeitos da quimioterapia ajuda o paciente e a família a se prepararem para essa fase.

Qual a expectativa de cura e controle da doença?

A perspectiva para pacientes com câncer no sistema linfático é, em geral, muito positiva. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) afirma que o linfoma de Hodgkin é considerado um dos cânceres com maiores chances de cura, principalmente quando diagnosticado em seus estágios iniciais.

Para os linfomas não-Hodgkin, o prognóstico varia muito conforme o subtipo. Com isso, muitos de crescimento lento podem ser controlados por anos, enquanto os agressivos exigem um tratamento mais intenso, mas que também pode levar à remissão completa. 

Diante disso, o fator mais importante para um bom resultado é, sem dúvida, o diagnóstico precoce. Portanto, a mensagem final é de atenção e ação. Um nódulo persistente não deve ser ignorado. 

Ao notar qualquer um dos sintomas descritos, a atitude mais segura é procurar um médico para uma avaliação. A informação correta e a busca por ajuda no tempo certo são os aliados mais poderosos na jornada pela saúde.

 

Referências Bibliográficas:

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Estimativa 2023 – Incidência de Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/estimativa-2023.pdf>. Acesso em: 25 jul. 2025.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Linfoma de Hodgkin. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Disponível em: <https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/linfoma-de-hodgkin>. Acesso em: 25 jul. 2025.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Linfoma não-Hodgkin. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Disponível em: <https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/linfoma-nao-hodgkin>. Acesso em: 25 jul. 2025.