Água no pulmão pode ser câncer? Entenda as causas e o diagnóstico
A presença de líquido no pulmão, ou derrame pleural, gera angústia, mas nem sempre está ligada a um tumor. Veja o que fazer
Resumo
"Água no pulmão" é o termo popular para derrame pleural, o acúmulo de líquido no espaço entre os pulmões e a parede torácica
Embora possa ser um sinal de câncer (derrame pleural maligno), é mais frequentemente causado por outras condições, como insuficiência cardíaca e pneumonia
Os principais sintomas incluem falta de ar, dor no peito ao respirar fundo e tosse seca persistente
O diagnóstico da causa exata é feito por exames de imagem e, crucialmente, pela análise do líquido retirado por um procedimento chamado toracocentese
O tratamento foca na causa base do problema e na drenagem do líquido para aliviar os sintomas respiratórios
A sensação começa sutil: uma dificuldade para respirar fundo após um pequeno esforço, uma tosse seca que não passa ou uma dor incômoda no peito. Quando um médico menciona a possibilidade de "água no pulmão", a preocupação com o câncer é quase imediata.
Essa é uma dúvida legítima e merece esclarecimento. É importante saber, contudo, que nem sempre o líquido nos pulmões indica câncer. Estudo publicado, em 2020, pela Thoracic Cancer,aponta que o câncer é a causa em aproximadamente 26% dos casos de derrame pleural.
Outras condições, como insuficiência cardíaca, pneumonia e inflamações benignas, são causas mais comuns. Compreender as diversas origens e como investigar é fundamental para o diagnóstico e tratamento eficaz. Nossa equipe está preparada para investigar a causa da falta de ar. Agende sua consulta na Rede Américas.
O que é a condição conhecida como 'água no pulmão'?
Tecnicamente chamado de derrame pleural, o quadro de "água no pulmão" não acontece dentro do órgão respiratório em si. Ocorre no espaço pleural, uma área fina que fica entre a superfície externa dos pulmões e a parede interna da caixa torácica.
Esse espaço é revestido por uma membrana dupla chamada pleura. Normalmente, uma pequena quantidade de líquido lubrificante circula ali, permitindo que os pulmões se expandam e contraiam suavemente durante a respiração. O problema surge quando há um desequilíbrio na produção ou absorção desse líquido, levando ao seu acúmulo excessivo.
Por que o líquido se acumula entre o pulmão e a caixa torácica?
O acúmulo de líquido pleural pode ser um sinal de diversas doenças, que vão desde quadros inflamatórios até condições crônicas e oncológicas. A causa determina a natureza do líquido e a abordagem do tratamento. As origens são divididas em duas categorias principais.
Água no pulmão pode ser câncer?
O derrame pleural pode ser um sintoma de câncer. Isso ocorre quando células cancerígenas se espalham para a pleura, irritando a membrana e aumentando a produção de líquido ou bloqueando sua drenagem. Em alguns casos, pode ser o primeiro sinal de um tumor ainda não diagnosticado.
É fundamental entender que a presença de líquido no pulmão não confirma automaticamente um diagnóstico de câncer. Isso porque problemas cardíacos, infecções e inflamações benignas também podem ser as causas.
A biópsia do líquido é, portanto, indispensável para distinguir entre as diferentes origens e orientar o tratamento adequado. Ele pode indicar o acometimento pelos seguintes tipos de cânceres:
Mesotelioma (um tipo raro de câncer que afeta a própria pleura)
Outras causas comuns (não oncológicas)
É importante ressaltar que a maioria dos casos de derrame pleural não é causada por câncer. Além de problemas cardíacos, infecções como pneumonia e tuberculose são causas bastante comuns do acúmulo de líquido.
Na verdade, a causa mais comum em todo o mundo é a insuficiência cardíaca congestiva. Outras condições frequentes são:
Insuficiência cardíaca: o coração enfraquecido não bombeia o sangue adequadamente, aumentando a pressão nos vasos sanguíneos dos pulmões e causando vazamento de líquido para o espaço pleural
Infecções: pneumonias bacterianas ou virais e tuberculose podem causar uma resposta inflamatória que leva ao acúmulo de líquido (pus, em alguns casos)
Embolia pulmonar: um coágulo de sangue que se aloja nos pulmões pode provocar um derrame pleural
Doenças do fígado ou rins: condições como a cirrose hepática ou a síndrome nefrótica alteram o equilíbrio de proteínas no corpo, dificultando a retenção de líquidos dentro dos vasos sanguíneos
Doenças autoimunes: lúpus e artrite reumatoide podem causar inflamação na pleura
Quais sintomas indicam um possível derrame pleural?
Os sinais variam conforme a quantidade de líquido acumulado e a velocidade com que ele se forma.
Quando o volume é pequeno, a pessoa pode não sentir nada. Conforme o líquido aumenta, ele comprime o pulmão e os sintomas aparecem. Os mais comuns são:
Falta de ar (dispneia): é o sintoma mais característico, que piora com o esforço e ao deitar.
Dor no peito: geralmente uma dor aguda, tipo pontada, que piora ao tossir ou respirar fundo.
Tosse seca: a irritação da pleura pode desencadear uma tosse persistente e sem catarro.
Febre e calafrios: mais comuns quando a causa é uma infecção, como pneumonia.
Como os médicos confirmam a causa do líquido no pulmão?
O diagnóstico definitivo da causa do derrame pleural é um processo investigativo que combina exame clínico, exames de imagem e, principalmente, a análise do líquido pleural. Essa etapa é fundamental para diferenciar uma causa benigna de uma maligna. O caminho diagnóstico geralmente inclui:
Exame físico: com um estetoscópio, o médico pode notar a diminuição ou ausência dos sons da respiração na área afetada
Exames de imagem: uma radiografia de tórax é o primeiro passo para confirmar a presença de líquido. Uma tomografia computadorizada ou ultrassom podem fornecer mais detalhes sobre a quantidade e localização do derrame
Toracocentese diagnóstica: este é o procedimento mais importante. Com anestesia local, o médico insere uma agulha fina no espaço pleural para coletar uma amostra do líquido. Essa amostra é enviada para análise laboratorial para verificar a presença de células cancerígenas, bactérias, e medir os níveis de proteínas e outras substâncias
A análise do líquido ajuda a classificá-lo como transudato (pouca proteína, típico de insuficiência cardíaca) ou exsudato (rico em proteína, comum em infecções e câncer). Essa biópsia do líquido é indispensável para identificar se o acúmulo é devido a câncer, problemas cardíacos, infecções como tuberculose ou inflamações benignas.
A identificação de células malignas na amostra confirma o diagnóstico de derrame pleural neoplásico. Somente com essa análise é possível definir o tratamento mais adequado.
Quais são os tratamentos disponíveis para o derrame pleural?
A abordagem terapêutica tem dois objetivos principais: aliviar os sintomas, principalmente a falta de ar, e tratar a doença que está causando o problema.
Tratamento da causa base: se a causa for insuficiência cardíaca, o tratamento envolve diuréticos e medicamentos para o coração. Se for pneumonia, o foco são os antibióticos. No caso do câncer, tratamentos como quimioterapia, imunoterapia ou terapia-alvo são direcionados ao tumor primário
Drenagem do líquido (toracocentese de alívio): quando o volume de líquido é grande e causa desconforto respiratório, o mesmo procedimento da biópsia é usado para drenar uma quantidade maior e proporcionar alívio imediato
Prevenção de novo acúmulo: em casos de derrame pleural maligno recorrente, podem ser indicados procedimentos como a pleurodese (que "cola" as duas camadas da pleura para evitar que o líquido se forme novamente) ou a colocação de um cateter de drenagem permanente
É importante entender que, no contexto oncológico, o tratamento do derrame pleural visa, muitas vezes, a melhora da qualidade de vida e o controle dos sintomas, sendo considerado um cuidado paliativo.
Quando a falta de ar se torna uma emergência médica?
Embora nem todo derrame pleural seja uma emergência, a falta de ar progressiva nunca deve ser ignorada. Procure atendimento médico imediato se a dificuldade para respirar piorar rapidamente, for acompanhada de dor intensa no peito, tontura ou coloração azulada nos lábios ou unhas.
Diante do diagnóstico de "água no pulmão", o passo mais importante é seguir a orientação médica para investigar a causa. A análise do líquido pleural é o que trará as respostas necessárias para um plano de tratamento adequado, seja para uma condição cardíaca, infecciosa ou oncológica.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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