Adenocarcinoma: sintomas e tratamento disponível para a condição
Entenda como esse tipo de câncer se manifesta no corpo, os sinais de alerta e as abordagens terapêuticas mais atuais.
Receber um diagnóstico com um nome complexo como "adenocarcinoma" pode gerar um turbilhão de dúvidas e medos. Compreender do que se trata, quais os próximos passos e as possibilidades existentes é fundamental para atravessar essa jornada com mais segurança e informação.
O que é exatamente um adenocarcinoma?
O adenocarcinoma é um tipo de tumor maligno, ou seja, um câncer. Sua principal característica é a origem: ele começa nas células glandulares epiteliais. Essas células são responsáveis por produzir e secretar substâncias como muco, suor ou enzimas digestivas e revestem a maior parte dos nossos órgãos internos e externos.
Por essa razão, o adenocarcinoma pode se desenvolver em muitas partes diferentes do corpo. A localização do tumor primário é o que define seu tipo e, consequentemente, seus sintomas e a estratégia de tratamento.
Onde este tipo de tumor costuma se desenvolver?
Como as células glandulares estão por todo o corpo, a lista de locais possíveis é extensa. Contudo, alguns órgãos são mais comumente afetados. Os principais tipos incluem:
Esses órgãos incluem estômago, cólon, pulmão e mama, onde o adenocarcinoma é frequentemente encontrado. Um diagnóstico preciso dessas condições é fundamental para definir o tratamento mais adequado.
Pulmão: é um dos tipos mais comuns de câncer de pulmão, especialmente entre não fumantes.
Cólon e reto (colorretal): a grande maioria dos cânceres de intestino grosso são adenocarcinomas.
Próstata: é o tipo mais prevalente de câncer que afeta a glândula prostática.
Estômago (gástrico): desenvolve-se na mucosa que reveste o órgão.
Pâncreas: o tipo mais comum de câncer pancreático origina-se nas células que produzem as enzimas digestivas.
Mama: muitos cânceres de mama se originam nos ductos ou lóbulos, que são estruturas glandulares.
Esôfago: geralmente associado à doença do refluxo gastroesofágico crônica.
Colo do útero (endocervical): é um tipo de câncer de colo de útero que se origina nas células glandulares.
Quais são os principais sintomas do adenocarcinoma?
Os sinais e sintomas dependem diretamente do órgão afetado. É importante notar que, em fases iniciais, muitos adenocarcinomas podem ser assintomáticos, o que reforça a importância de exames de rotina.
Sintomas por localização
Veja os sinais de alerta mais comuns associados aos principais tipos:
Tipo de Adenocarcinoma
Sintomas Comuns
Pulmão
Tosse persistente que não melhora, escarro com sangue, dor no peito, falta de ar e rouquidão.
Colorretal
Alterações nos hábitos intestinais (diarreia ou constipação), sangue nas fezes, dor abdominal e sensação de evacuação incompleta.
Próstata
Dificuldade para urinar, jato urinário fraco, necessidade de urinar com frequência (principalmente à noite) e sangue na urina ou sêmen.
Estômago
Indigestão, dor na parte superior do abdômen, náuseas, perda de apetite e sensação de saciedade mesmo comendo pouco.
Pâncreas
Dor abdominal que pode irradiar para as costas, icterícia (pele e olhos amarelados), perda de peso inexplicada e fezes claras.
Além dos sintomas específicos, sinais gerais como perda de peso sem motivo aparente, cansaço extremo e febre persistente podem ser indicativos de um processo cancerígeno e devem ser investigados por um médico.
Como é feito o diagnóstico?
A jornada diagnóstica começa com a avaliação clínica e o histórico do paciente. Se houver suspeita, o médico solicitará exames para visualizar a área afetada e confirmar a presença de um tumor.
Os principais métodos incluem:
Exames de imagem: tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) e PET-CT são usados para localizar o tumor, medir seu tamanho e verificar se ele se espalhou para outras partes do corpo (metástase).
Endoscopia e colonoscopia: permitem a visualização direta do interior de órgãos como esôfago, estômago e intestino, além de possibilitar a coleta de amostras de tecido.
Biópsia: é o exame definitivo. Um pequeno fragmento do tecido suspeito é removido e analisado por um patologista. A biópsia confirma se o tumor é um adenocarcinoma e fornece informações sobre sua agressividade (grau de diferenciação).
É importante notar que classificações específicas do adenocarcinoma, como o sistema Silva para o tipo endocervical, são cruciais para orientar o tratamento adequado e avaliar o risco de metástase ou recorrência da doença.
No caso do adenocarcinoma endocervical, a identificação da ligação ao vírus HPV também é vital, pois tumores não associados ao HPV podem apresentar um prognóstico diferente e responder de outra forma aos tratamentos.
Quais são as opções de tratamento para o adenocarcinoma?
O tratamento é altamente personalizado, definido por uma equipe multidisciplinar de especialistas. A escolha da abordagem depende do tipo, localização, estágio do tumor (estadiamento) e das condições gerais de saúde do paciente.
Principais modalidades terapêuticas
As estratégias podem ser usadas de forma isolada ou combinada:
Cirurgia: o objetivo é a remoção completa do tumor e de uma margem de segurança de tecido saudável ao redor. Em muitos casos de doença localizada, a cirurgia pode ser curativa.
Quimioterapia: utiliza medicamentos para destruir as células cancerígenas. Pode ser administrada antes da cirurgia para reduzir o tumor (neoadjuvante) ou depois para eliminar células remanescentes (adjuvante).
Radioterapia: emprega radiação de alta energia para destruir as células do câncer. Assim como a quimioterapia, pode ser usada antes ou depois da cirurgia.
Terapia-alvo: são medicamentos que atuam em alterações moleculares específicas presentes nas células tumorais, bloqueando seu crescimento de forma mais precisa e com menos efeitos colaterais que a quimioterapia convencional. Em casos de adenocarcinoma de pâncreas, a pesquisa busca constantemente novos alvos específicos para o desenvolvimento de medicamentos inovadores ou aprimoramento de drogas já existentes. Para o adenocarcinoma de pulmão, estudos indicam que níveis elevados das proteínas ATF1 e ZNF143 estão associados à progressão da doença, sugerindo que estas proteínas podem se tornar novos alvos para tratamentos direcionados.
Imunoterapia: estimula o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e atacar as células cancerígenas. Representa um dos avanços mais significativos no tratamento de diversos tipos de adenocarcinoma.
Vale dizer que o suporte nutricional e psicológico também são pilares fundamentais durante todo o processo, ajudando o paciente a manter a força e a qualidade de vida.
O adenocarcinoma tem cura?
Sim, o adenocarcinoma pode ser curado, principalmente quando diagnosticado em estágios iniciais. O sucesso do tratamento está diretamente ligado ao estadiamento da doença no momento do diagnóstico.
Quando o tumor está restrito ao órgão de origem, as chances de cura com tratamentos como a cirurgia são significativamente maiores. Mesmo em casos mais avançados, os tratamentos modernos têm conseguido proporcionar um controle da doença por longos períodos, transformando o câncer em uma condição crônica e preservando a qualidade de vida do paciente.
Portanto, ao notar qualquer sintoma persistente ou incomum, não hesite. A consulta com um especialista é o primeiro e mais importante passo para um diagnóstico precoce e um tratamento bem-sucedido.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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