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Acidentes com animais peçonhentos: o que fazer e quando ir ao médico

Um guia rápido de primeiros socorros para saber como agir corretamente após uma picada de cobra, aranha ou escorpião

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Imagine a cena: uma caminhada na trilha, um dia de trabalho no campo ou mesmo a arrumação de um quintal com entulhos. De repente, uma dor aguda e a percepção de uma picada. O contato com um animal peçonhento é uma situação de emergência que exige calma e, principalmente, a ação correta. Saber o que fazer nos primeiros minutos é fundamental para um desfecho positivo.

No Brasil, a diversidade da fauna torna esses acidentes uma realidade, especialmente em áreas rurais e periurbanas. Segundo dados do Ministério da Saúde, milhares de casos são notificados anualmente. Em 2023, foram registrados 32.595 casos. Deles, 143 foram óbitos. Entre os estados com maior incidência estão: Bahia (24), Pará (17) e Minas Gerais (15).

A exposição é particularmente alta para homens entre 60 e 69 anos, especialmente aqueles que trabalham ao ar livre, como agricultores, pastores, trabalhadores florestais e caçadores, que formam o grupo ocupacional com maior risco de acidentes com cobras peçonhentas. Por isso, estar preparado não é um excesso de zelo, mas uma necessidade.

Clínicos gerais podem intervir imediatamente nesses tipos de acidentes. A Rede Américas conta com médicos especialistas atendendo em vários hospitais brasileiros.

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O que fazer imediatamente após um acidente com animal peçonhento?

A primeira e mais importante regra é manter a calma. O nervosismo acelera os batimentos cardíacos e pode aumentar a velocidade com que o veneno se espalha pelo corpo. Em seguida, siga os passos recomendados por autoridades de saúde.

É importante notar que, em acidentes com animais peçonhentos aquáticos, como os causados por arraias ou águas-vivas, a primeira ação essencial é sempre remover a vítima da água e garantir o suporte vital básico, antes de focar nos cuidados específicos da lesão.

Passos essenciais de primeiros socorros

As ações a seguir devem ser tomadas enquanto se busca o serviço de saúde mais próximo:

  1. Lave o local: use apenas água e sabão para limpar a área da picada.
  2. Mantenha a vítima em repouso: deitada e o mais calma possível. Evite que a pessoa caminhe ou corra.
  3. Eleve o membro atingido: se a picada for em um braço ou perna, mantenha a área um pouco elevada para ajudar a reduzir o inchaço.
  4. Retire acessórios: remova anéis, pulseiras, relógios e sapatos apertados, pois o local pode inchar rapidamente.
  5. Busque ajuda médica imediata: dirija-se ao pronto-socorro ou hospital mais próximo. Se possível, ligue para o SAMU (192) ou para um Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) para orientações.

O que você NUNCA deve fazer

Medidas populares e intuitivas podem, na verdade, agravar muito o quadro clínico. Evite a todo custo:

  • NÃO faça torniquete ou garrote: amarrar o membro impede a circulação sanguínea e aumenta o risco de necrose e amputação. É importante evitar tentativas de autotratamento caseiro, como torniquetes ou sucção, pois cerca de 10% das vítimas de picadas de cobra tentam procedimentos que podem agravar o quadro.
  • NÃO corte ou perfure o local da picada: isso não ajuda a remover o veneno e pode causar infecções graves.
  • NÃO tente sugar o veneno: a sucção é ineficaz para remover a peçonha e pode contaminar a ferida ou envenenar quem tenta ajudar.
  • NÃO aplique substâncias no local: evite pó de café, folhas, álcool, querosene ou qualquer outra receita popular. Aplicar ou ingerir misturas caseiras após uma picada de cobra demonstrou aumentar significativamente as chances de morte ou incapacidade, além de poder causar infecções graves.
  • NÃO ofereça bebidas alcoólicas à vítima: o álcool pode confundir os sintomas e piorar o quadro geral.

Como diferenciar os principais animais peçonhentos no Brasil?

A identificação do animal, se feita de forma segura (por exemplo, através de uma foto tirada à distância), ajuda a equipe médica a escolher o soro antiveneno correto mais rapidamente. Contudo, não perca tempo ou se arrisque para capturar o animal.

Serpentes (cobras)

Os grupos de maior importância médica no país são:

  • Jararacas: responsáveis pela maioria dos acidentes. Possuem corpo marrom ou cinza com desenhos em forma de "V" invertido ou triângulos.
  • Cascavéis: caracterizadas pelo guizo (chocalho) na ponta da cauda. Habitam áreas mais secas.
  • Corais-verdadeiras: apresentam anéis coloridos (vermelho, preto, branco/amarelo) que circundam todo o corpo.
  • Surucucus: a maior serpente peçonhenta da América Latina, com escamas "arrepiadas" e cauda com escamas eriçadas.

Aranhas

As duas espécies que mais causam acidentes graves são:

  • Aranha-armadeira (Phoneutria): agressiva, ergue as patas dianteiras quando ameaçada. Encontrada em bananeiras, folhagens e dentro de sapatos.
  • Aranha-marrom (Loxosceles): não é agressiva e tem hábitos noturnos. Esconde-se em roupas, móveis e cantos escuros. Sua picada pode ser indolor no momento.

Escorpiões

O escorpião-amarelo é o que mais preocupa as autoridades de saúde:

  • Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus): possui coloração amarelo-clara e tronco mais escuro. É a espécie mais venenosa e se reproduz por partenogênese, o que facilita sua proliferação em centros urbanos.

Quais são os sintomas mais comuns após a picada?

Os sinais variam conforme o animal, a quantidade de veneno injetada e a condição de saúde da vítima. A manifestação pode ser apenas local ou evoluir para um quadro sistêmico grave.

Animal

Sintomas Locais

Sintomas Sistêmicos (Gerais)

Serpentes (Jararaca)

Dor imediata, inchaço, vermelhidão, calor, bolhas, sangramento na picada ou gengivas.

Náuseas, vômitos, tontura, queda de pressão.

Aranha-armadeira

Dor intensa e imediata, inchaço leve, vermelhidão.

Sudorese, agitação, salivação excessiva, alterações cardíacas (raro).

Aranha-marrom

Dor pode surgir horas depois, mancha roxa, queimação, bolha com conteúdo sanguinolento, necrose da pele.

Mal-estar, febre, urina escura (sinal de gravidade).

Escorpião

Dor intensa que se irradia, vermelhidão, formigamento.

Náuseas, vômitos, sudorese, agitação, salivação, alterações cardíacas e respiratórias (mais comum em crianças).

Como funciona o tratamento médico especializado?

O tratamento para acidentes com animais peçonhentos é realizado em ambiente hospitalar e depende da avaliação clínica. A principal ferramenta terapêutica é a soroterapia, que consiste na administração do soro antiveneno específico para neutralizar a peçonha circulante no organismo.

Para picadas de cobra, a administração do soro antiveneno deve ocorrer o mais rápido possível. Atrasos podem representar um risco significativo à vida. Além do soro, a equipe médica pode utilizar medicamentos para controlar a dor, reações alérgicas e outras complicações. A classificação do acidente como leve, moderado ou grave, baseada nos sintomas, determinará a necessidade e a quantidade de soro a ser aplicada.

É possível prevenir acidentes com animais peçonhentos?

A maioria dos acidentes ocorre quando os animais se sentem ameaçados. Adotar medidas de precaução reduz drasticamente os riscos:

  • Use sapatos de cano alto e luvas de couro ao trabalhar em áreas de mata, plantações ou ao manusear entulhos.
  • Examine calçados e roupas antes de vesti-los.
  • Mantenha quintais, jardins e terrenos baldios limpos, evitando o acúmulo de lixo, folhas secas e entulho.
  • Vede frestas e buracos em paredes, assoalhos e forros.
  • Não coloque as mãos em buracos, tocas ou vãos de troncos e pedras.
  • Ao encontrar um animal peçonhento, afaste-se lentamente e sem movimentos bruscos.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

BHAUMIK, S. et al. Interventions for the management of snakebite envenoming: An overview of systematic reviews. PLoS Neglected Tropical Diseases, 13 out. 2020. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0008727.

GRACE, R. C. et al. Snake envenomation in Florida: a 20-year analysis of epidemiology and clinical outcomes at a tertiary medical centre. Transactions of the Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, jan. 2025. DOI: https://doi.org/10.1093/trstmh/trae128.

JESTRZEMSKI, D. et al. Hospital admissions due to snake envenomation in the Republic of Cyprus: a 7-year retrospective review. Journal of Occupational Medicine and Toxicology, London, 21 dez. 2022. DOI: https://doi.org/10.1186/s12995-022-00363-1.

KADLER, R.; PIRKLE, C.; YANAGIHARA, A. A systematic review of reports on aquatic envenomation: are there global hot spots and vulnerable populations? The Journal of Venomous Animals and Toxins Including Tropical Diseases, [S. l.], 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/1678-9199-JVATITD-2024-0032.

MORRIS, C. A. D.; DONALDSON, R. E. Mechanical ventilation in snake envenomation of dogs and cats. Frontiers in Veterinary Science, 29 mar. 2023. DOI: https://doi.org/10.3389/fvets.2023.1071257.

BRASIL. Ministério da Saúde. Epidemiologia dos acidentes ofídicos no Brasil em 2023. 2024. Disponível: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/edicoes/2024/boletim-epidemiologico-volume-55-no-15.pdf. Acesso em: 14 jan. 2026.

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