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Tratamento complementar para gastroenterite: como aliviar os sintomas? 

Saiba como a hidratação correta e a alimentação leve são essenciais para tratar os sintomas e evitar complicações

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Aquele mal-estar súbito, a náusea que chega sem aviso e a necessidade urgente de correr para o banheiro. 

Esses são os sinais clássicos da gastroenterite, uma inflamação do trato gastrointestinal que afeta milhões de pessoas todos os anos. Embora o quadro geralmente se resolva sozinho, os cuidados corretos em casa são determinantes para uma recuperação mais rápida e para prevenir complicações, como a desidratação.

O que é gastroenterite e por que o tratamento de suporte é essencial?

A gastroenterite é uma inflamação do revestimento do estômago e dos intestinos, causada principalmente por vírus (como o norovírus e o rotavírus) ou, menos comumente, por bactérias e parasitas. Os sintomas mais conhecidos incluem diarreia, vômitos, dores abdominais e, por vezes, febre e dores no corpo. 

Embora seja considerada uma doença de menor gravidade na maioria dos casos, a gastroenterite aguda é uma das razões mais comuns para a sobrecarga em prontos-socorros, o que reforça que muitos casos podem ser gerenciados com sucesso através de cuidados de suporte em casa.

Como não existe um medicamento específico para a maioria das gastroenterites virais, o tratamento é focado no suporte ao organismo. O objetivo é aliviar os sintomas e, principalmente, prevenir a desidratação, que ocorre pela perda intensa de líquidos e sais minerais (eletrólitos) através da diarreia e dos vômitos. 

É essa abordagem que permite ao sistema imunológico combater o agente causador de forma eficaz. Para tratar a disfunção da maneira adequada é preciso procurar um médico especialista.

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Qual é o pilar do tratamento complementar para gastroenterite?

A resposta é simples: hidratação. Manter o corpo hidratado é a medida mais importante durante um quadro de gastroenterite. No entanto, não basta apenas beber água, pois é preciso repor também os eletrólitos perdidos, como sódio e potássio.

Soro de reidratação oral (SRO)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a terapia de reidratação oral a forma mais eficaz de tratar a desidratação leve a moderada. 

As soluções de reidratação oral, disponíveis em farmácias, contêm a proporção exata de água, sais e açúcar para otimizar a absorção pelo organismo. É recomendado tomar pequenos goles de forma contínua ao longo do dia, especialmente após cada episódio de vômito ou diarreia.

Alternativas caseiras e outras bebidas

Na ausência do SRO, algumas alternativas podem ajudar. O soro caseiro é uma opção, mas sua preparação exige precisão para ser segura. Outros líquidos recomendados incluem:

  • Água de coco: rica em potássio.
  • Chás claros e sem açúcar: como camomila ou hortelã, que também ajudam a acalmar o estômago.
  • Sucos de fruta naturais e coados: como de maçã ou caju, diluídos em água.
  • Água de arroz: o líquido do cozimento do arroz pode ajudar a firmar as fezes.

É importante evitar bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos industrializados, além de café e álcool, pois podem agravar a diarreia.

Como deve ser a alimentação durante a recuperação?

Forçar a alimentação quando se está com náuseas e vômitos é contraproducente. A estratégia correta envolve paciência e uma reintrodução gradual dos alimentos.

Os primeiros passos: o repouso intestinal

Nas primeiras horas da crise, principalmente se os vômitos forem intensos, é aconselhável fazer um breve repouso intestinal. 

Nesse período, concentre-se apenas na hidratação com SRO ou outros líquidos claros em pequenos volumes. Isso permite que o sistema digestivo descanse e se recupere da inflamação aguda.

Reintroduzindo alimentos: a dieta progressiva

Quando o apetite começar a retornar e os vômitos diminuírem, inicie com alimentos de fácil digestão. A tradicional dieta BRAT (bananas, arroz, purê de maçã e torradas) é um bom ponto de partida. 

Outras opções incluem batata cozida, frango desfiado sem pele e bolachas de água e sal. Se houver dor na boca durante a infecção, priorize a ingestão de alimentos liquidificados ou muito macios. Essa adaptação ajuda a minimizar o desconforto e a garantir a nutrição necessária.

A ideia é comer porções pequenas e frequentes para não sobrecarregar o estômago. Conforme os sintomas melhoram, outros alimentos podem ser reintroduzidos gradualmente.

Tabela: alimentos recomendados vs. a evitar

Alimentos Recomendados

Alimentos a Evitar

 

Arroz branco, batata cozida, mandioquinha

Alimentos gordurosos e frituras

Frango grelhado ou cozido e desfiado

Leite e derivados (em alguns casos)

Frutas como banana, maçã e pera sem casca

Doces, chocolates e alimentos açucarados

Torradas, pão branco e bolachas de água e sal

Grãos integrais e alimentos ricos em fibras

Sopas e caldos leves (canja, por exemplo)

Comidas picantes e muito condimentadas

Existem remédios caseiros que realmente ajudam?

Algumas medidas caseiras podem oferecer alívio sintomático, mas não substituem os pilares do tratamento: hidratação e repouso. É fundamental usar o bom senso e sempre priorizar as orientações médicas.

Chás e infusões para aliviar o desconforto

Chás de ervas podem ser úteis para acalmar o sistema digestivo. O chá de gengibre é conhecido por sua propriedade antiemética, ajudando a controlar náuseas. Já o chá de camomila ou de hortelã pode aliviar cólicas e o desconforto abdominal devido às suas ações calmantes e antiespasmódicas.

O papel dos probióticos

Probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro. 

Algumas evidências científicas, publicadas em periódicos como o Journal of the American Medical Association (JAMA), sugerem que certas cepas de probióticos podem ajudar a reduzir a duração da diarreia infecciosa, especialmente em crianças. Contudo, seu uso deve ser discutido com um profissional de saúde para avaliar a real necessidade e a melhor formulação.

Como adaptar os cuidados para crianças e bebês?

Em crianças, a gastroenterite pode levar à desidratação de forma muito mais rápida. A gastroenterite é uma das principais causas de internação hospitalar em crianças, o que reforça a importância de buscar rapidamente cuidados de suporte e tratamento para as infecções. Por isso, a atenção deve ser redobrada.

Mantenha a amamentação em bebês, pois o leite materno hidrata e fornece anticorpos. Para os maiores, ofereça o soro de reidratação oral em pequenos goles, usando uma colher ou seringa se necessário. Nunca medique uma criança sem orientação pediátrica. 

Observe atentamente os sinais de desidratação, como boca seca, ausência de lágrimas ao chorar, diminuição da quantidade de urina (fralda seca por mais de 6 horas) e moleira afundada em bebês.

Quais são os sinais de alerta para procurar um médico imediatamente?

Embora a maioria dos casos se resolva em casa, algumas situações exigem avaliação médica urgente. Procure atendimento se você ou seu filho apresentarem:

  • Sinais de desidratação severa: como prostração, olhos fundos, confusão mental ou tontura ao se levantar.
  • Vômitos persistentes que impedem a ingestão de qualquer líquido.
  • Febre alta (acima de 38.5ºC) por mais de 48 horas.
  • Dor abdominal intensa e contínua.
  • Presença de sangue ou muco nas fezes.
  • Falta de melhora dos sintomas após 2 ou 3 dias.

Ao comunicar seus sintomas a um profissional de saúde, descrever sua condição de forma clara e objetiva, usando termos como "gastroenterite" se for o caso, pode ajudar a validar sua experiência e construir confiança no tratamento.

O que mais pode ser feito para se sentir melhor?

Além da hidratação e da dieta, o repouso é fundamental. O corpo precisa de energia para combater a infecção. Portanto, descanse o máximo possível e evite atividades físicas intensas até a recuperação completa.

A higiene também é essencial para evitar a transmissão, especialmente em casos de gastroenterite viral. Lave as mãos com frequência, principalmente após usar o banheiro e antes de manusear alimentos. A recuperação completa pode levar alguns dias, mas seguir essas orientações de suporte torna o processo mais seguro e confortável.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

ÇELIKER, M. Y. et al. Pediatric palliative care initiative in Cambodia. Frontiers in Public Health, [S. l.], 2017. DOI: https://doi.org/10.3389/fpubh.2017.00185. Acesso em: 14 dez. 2025.

MILLER-LEWIS, L. R. et al. Words describing feelings about death: A comparison of sentiment for self and others and changes over time. PLoS ONE, [S. l.], 06 jan. 2021. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0242848. Acesso em: 14 dez. 2025.

WENG, T. C. et al. Implementing a novel model for hospice and palliative care in the emergency department. Medicine, [S. l.], maio 2017. DOI: https://doi.org/10.1097/MD.0000000000006943. Acesso em: 14 dez. 2025.

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