Testosterona baixa no homem: quais os sintomas, as causas e o que fazer
Entenda os sinais que o corpo emite quando este hormônio essencial está em declínio e qual o caminho para um diagnóstico seguro.
A semana foi longa, o cansaço parece não ir embora mesmo depois de uma boa noite de sono, e a motivação para atividades que antes davam prazer, como ir à academia ou ter momentos de intimidade, simplesmente desapareceu. Se essa cena parece familiar, ela pode ser um indício de que algo mais profundo está acontecendo: a queda nos níveis de testosterona.
O que é a testosterona e qual seu papel no corpo masculino?
A testosterona é o principal hormônio sexual masculino, embora também esteja presente em menores quantidades nas mulheres. Produzida majoritariamente nos testículos, ela é fundamental para o desenvolvimento e a manutenção de diversas características e funções do corpo do homem.
Sua atuação vai muito além da função sexual. A testosterona regula a distribuição de gordura, a produção de glóbulos vermelhos, a manutenção da massa muscular e da densidade óssea, além de influenciar diretamente o humor, a energia e a capacidade cognitiva. A consulta com um especialista é essencial para descobrir a real causa da sintomatologia.
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Hospital Paraná
Av. Dr. Luiz Teixeira Mendes, 1929 - Zona 05, Maringá - PR, 87015-000
Quais são os principais sintomas de testosterona baixa no homem?
A queda nos níveis de testosterona, condição conhecida como hipogonadismo, manifesta-se através de um conjunto de sinais que podem ser facilmente confundidos com estresse ou envelhecimento.
É importante observar a combinação e a persistência desses sintomas, que podem ser agrupados em três áreas principais.
Sintomas sexuais e reprodutivos
Diminuição da libido: perda acentuada e persistente do interesse sexual.
Disfunção erétil: dificuldade em obter ou manter uma ereção satisfatória.
Redução das ereções espontâneas: como as que ocorrem durante o sono.
Diminuição do volume do sêmen: relacionado à produção de fluidos para a ejaculação.
Infertilidade: em alguns casos, a baixa produção de espermatozoides pode estar ligada ao hipogonadismo.
Sintomas físicos e metabólicos
Fadiga constante: sensação de cansaço extremo e falta de energia, mesmo com descanso adequado.
Perda de massa e força muscular: dificuldade em ganhar músculos ou notar uma redução da força física.
Aumento da gordura corporal: especialmente na região abdominal.
Redução de pelos corporais e faciais: necessidade de se barbear com menos frequência.
Diminuição da densidade óssea: aumentando o risco de osteoporose e fraturas.
Sintomas emocionais e cognitivos
Alterações de humor: irritabilidade, tristeza ou apatia sem motivo aparente.
Dificuldade de concentração: sensação de "névoa mental" e problemas de memória.
Falta de motivação: perda de iniciativa e do impulso competitivo.
Sintomas depressivos: desânimo e perda de interesse em atividades cotidianas.
O que causa baixa testosterona no homem?
A diminuição da produção de testosterona pode ser um processo natural, mas também pode ser acelerada ou causada por fatores de saúde e estilo de vida. As causas são geralmente divididas entre primárias, quando o problema está nos testículos, e secundárias, quando a falha está no sistema de comando do cérebro (hipotálamo e hipófise).
A deficiência de testosterona em homens, conhecida como hipogonadismo, pode ter origens genéticas, como a Síndrome de Klinefelter. Tratamentos médicos específicos, como radioterapia e quimioterapia para câncer, também são causas comuns do declínio hormonal. Essas condições afetam diretamente a capacidade do corpo de produzir testosterona.
As causas mais comuns incluem:
Envelhecimento: após os 40 anos, é natural que os níveis de testosterona diminuam gradualmente, cerca de 1% a 2% ao ano. É importante notar que a baixa de testosterona em homens mais velhos, chamada de hipogonadismo de início tardio, só é confirmada quando a concentração do hormônio no sangue está baixa e há a presença de sintomas específicos. A avaliação cuidadosa dos sintomas em conjunto com os exames é crucial para o diagnóstico.
Obesidade: o excesso de tecido adiposo contém a enzima aromatase, que converte testosterona em estrogênio, o principal hormônio feminino. Isso cria um ciclo vicioso conhecido como Síndrome Metabólica associada ao Hipogonadismo Masculino (MOSH).
Doenças crônicas: diabetes tipo 2, doenças renais ou hepáticas e HIV/AIDS podem afetar a produção hormonal.
Estresse crônico: o aumento do cortisol, o hormônio do estresse, pode inibir a produção de testosterona.
Sono de má qualidade: a maior parte da testosterona é produzida durante o sono profundo. Noites mal dormidas afetam diretamente seus níveis.
Lesões ou infecções testiculares: danos diretos aos testículos comprometem sua capacidade produtiva.
Uso de certos medicamentos: opioides e alguns tipos de corticoides podem interferir na produção hormonal.
Como o diagnóstico de testosterona baixa é realizado?
Diagnosticar o hipogonadismo não se baseia apenas em um sintoma isolado. É um processo que exige avaliação médica cuidadosa para descartar outras condições com sinais semelhantes. O diagnóstico correto é fundamental para definir o tratamento adequado.
O processo geralmente envolve:
Avaliação clínica: o médico, geralmente um endocrinologista ou urologista, irá conversar sobre seu histórico de saúde, sintomas, medicamentos em uso e hábitos de vida.
Exame físico: o especialista avalia características como distribuição de pelos, massa muscular e examina a região testicular.
Exames de sangue: a confirmação vem com a dosagem da testosterona total e, por vezes, da testosterona livre no sangue. A coleta é idealmente feita pela manhã, período em que os níveis do hormônio estão mais altos. Podem ser necessárias duas ou mais coletas para confirmar o diagnóstico. Caso o nível de testosterona total esteja baixo ou no limite (entre 8 e 12 nmol/L) no primeiro exame de sangue matinal, é fundamental repetir o teste. Nesses casos, o médico também pode solicitar a medição de outros hormônios, como LH, FSH e SHBG, para um diagnóstico mais completo e preciso.
Quais são as opções de tratamento disponíveis?
O tratamento para a testosterona baixa no homem depende da causa e da intensidade dos sintomas. A abordagem inicial quase sempre foca em otimizar a saúde geral do paciente. A automedicação é extremamente perigosa e pode trazer riscos graves à saúde.
Mudanças no estilo de vida
Para muitos homens, especialmente aqueles cujos níveis estão no limite inferior da normalidade, ajustes na rotina podem trazer resultados significativos. As principais recomendações são:
Atividade física regular: especialmente treinamentos de força (musculação) e exercícios intervalados de alta intensidade (HIIT).
Alimentação balanceada: garantir a ingestão de nutrientes essenciais como zinco, magnésio e vitamina D.
Controle do peso: emagrecer é uma das formas mais eficazes de aumentar naturalmente a testosterona em homens com sobrepeso ou obesidade.
Qualidade do sono: priorizar de 7 a 9 horas de sono por noite.
Gerenciamento do estresse: técnicas de relaxamento, meditação ou hobbies podem ajudar a reduzir os níveis de cortisol.
Terapia de reposição de testosterona (TRT)
É importante saber que a terapia de reposição de testosterona (TRT) convencional pode prejudicar a produção de esperma, um ponto crucial para homens que desejam manter a fertilidade.
Por essa razão, muitos homens procuram alternativas ao tratamento tradicional, preocupados com possíveis efeitos adversos da reposição hormonal.
Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes e o diagnóstico de hipogonadismo é confirmado com sintomas clínicos relevantes, o médico pode indicar a terapia de reposição hormonal. Existem diferentes formas de administração, como géis, adesivos ou injeções.
Vale dizer que a TRT não é para todos. Ela exige acompanhamento médico contínuo para monitorar os níveis hormonais, avaliar a melhora dos sintomas e controlar possíveis efeitos colaterais, como alterações na próstata e na produção de glóbulos vermelhos.
Quando devo procurar um médico?
Se você se identifica com vários dos sintomas listados e percebe que sua qualidade de vida, relacionamentos ou desempenho profissional estão sendo afetados, é hora de buscar ajuda. Não trate os sinais como uma parte inevitável do envelhecimento.
Procure um endocrinologista ou urologista para uma avaliação completa. Apenas um profissional habilitado pode realizar o diagnóstico correto e indicar o caminho mais seguro e eficaz para restaurar seu bem-estar e vitalidade.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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