Revisado em: 28/01/2026
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A síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica autoimune rara; Os sintomas começam com fraqueza muscular progressiva nas pernas

A síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma condição neurológica rara e grave que exige atenção imediata. Trata-se de um distúrbio autoimune no qual o sistema de defesa do próprio corpo, que normalmente combate infecções, ataca erroneamente os nervos periféricos.
Esse ataque danifica a bainha de mielina (a camada protetora dos nervos) ou o próprio axônio, impedindo que os sinais nervosos sejam transmitidos de forma eficaz.
Os sintomas da síndrome de Guillain-Barré são marcados por fraqueza muscular e perda de reflexos, geralmente de forma ascendente. Por isso, é fundamental saber identificar os sinais de alerta e buscar atendimento médico.
A Síndrome de Guillain-Barré é uma condição autoimune, quando o próprio corpo ataca seu sistema nervoso.
Ela é classificada como uma polineuropatia, afetando múltiplos nervos periféricos em todo o corpo. O sistema nervoso periférico é a rede de nervos fora do cérebro e da medula espinhal.
De acordo com o Ministério da Saúde, ela é considerada rara, com uma incidência anual estimada entre 1 a 4 casos por 100.000 habitantes. Sendo mais comum na faixa etária entre 20 e 40 anos. A síndrome pode ser considerada uma emergência neurológica, por causa da sua evolução aguda e potencial de gravidade.
A síndrome é caracterizada por uma fraqueza muscular, que costuma começar nas pernas e se move para cima, com uma padrão ascendente. É comum que essa fraqueza atinja o seu pico em até quatro semanas após o início dos sintomas.
A condição possui diferentes formas de apresentação. Pode ser uma Polirradiculoneuropatia Desmielinizante Inflamatória Aguda, onde o foco do ataque é a bainha de mielina (camada protetora dos nervos).
Pode se apresentar também como a Síndrome de Miller Fisher, que costuma se apresentar com paralisia ocular e falta de coordenação. Ou na forma de neuropatias axonais motoras. Nesses casos, o ataque autoimune acontece ao axônio (a parte do nervo que envia mensagens), impedindo a transmissão eficiente de sinais nervosos.
A causa exata não é totalmente conhecida, mas é comum que seja precedida por uma infecção viral ou bacteriana nas seis semanas anteriores. A teoria mais aceita é que a infecção desencadeiam uma resposta imunológica, que por um mecanismo de mimetismo molecular passa a atacar as células nervosas saudáveis.
O mimetismo molecular significa dizer que os patógenos possuem uma estrutura parecida com as proteínas do indivíduo. Por isso o organismo começa a atacar o próprio sistema imunológico achando que é o microrganismo invasor.
O fator de risco mais prevalente para a Síndrome de Guillain-Barré é a contaminação pela bactéria Campylobacter jejuni. Ela costuma ser responsável por causar gastroenterite. Outros patógenos também estão associados à condição de saúde: zika, dengue, chikungunya, influenza A, HIV, hepatites (A, B, C e E) e Covid-19.
Os sintomas da síndrome de guillain-barré são variados, mas normalmente começam com a sensação de dormência, formigamento ou queimação que se iniciam nas extremidades (pés e pernas). Depois a sensação costuma se espalhar para os braços e mãos.
O sinal mais característico é a fraqueza muscular progressiva e ascendente. Ela pode evoluir rapidamente para paralisia total dos quatros membros em casos graves. Também pode haver perda de reflexos, dificuldade para andar ou subir escadas e problemas para falar, mastigar ou engolir.
O indivíduo pode ter dor intensa, que pode se manifestar como pontada ou cãibra. E geralmente piora à noite. Alguns pacientes relatam dor lombar ou nas pernas. E podem se queixar de visão dupla ou incapacidade de mover os olhos.
O organismo em si também pode manifestar outros sintomas da Síndrome de Guillain-Barré. Podem haver flutuações na pressão arterial, com a frequência cardíaca acelerada (taquicardia) e problemas no controle da bexiga ou intestino. O principal risco e complicação é o acometimento dos músculos respiratórios.
O que pode levar à insuficiência respiratória e exigir que o paciente necessite de ventilação mecânica. Por isso, a Síndrome pode ser considerada uma emergência médica que exoge internação hospitalar e monitoramento contínuo.
O diagnóstico da Síndrome de Guillain-Barré é essencialmente clínico, com base no histórico do paciente (infecção prévia) e no exame físico. Principalmente se o exame revelar fraqueza muscular ascendente e perda ou diminuição dos reflexos profundos.
Para confirmar a suspeita e descartar outras condições, o médico pode solicitar exames complementares como a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) ou líquor. O LCR é obtido por meio de uma punção lombar, quando uma agulha específica é inserida na parte lombar da coluna vertebral e parte do líquido que passa por ela é retirado.
A avaliação costuma mostrar a chamada dissociação albumino-citológica. Ela é a caracterizada pelo aumento na concentração de proteínas com uma contagem normal ou baixa de células de defesa(leucócitos).
A eletroneuromiografia também pode ser solicitada. O exame avalia a condução nervosa e a atividade da musculatura do paciente, ajudando a determinar o tipo da Síndrome de Guillain-Barré e a extensão dos danos causados.
Em alguns casos a ressonância da coluna pode ser solicitada para auxiliar no diagnóstico diferencial, excluindo outras patologias que causam fraqueza. Geralmente o tratamento já é iniciado mesmo sem o resultado dos exames, principalmente se houver suspeita clínica.
Não existe uma cura conhecida para a síndrome, mas o tratamento tem o objetivo de acelerar a recuperação, diminuir as complicações da fase aguda e reduzir os déficits neurológicos a longo prazo.
Por isso ele deve ser iniciado o mais rápido possível, normalmente entre 7 e 14 dias após o início dos sintomas da Síndrome de Guillain-Barré. É realizado em ambiente hospitalar, muitas vezes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para fazer o monitoramento contínuo.
O tratamento de escolha é a administração de imunoglobulina intravenosa. Uma solução contendo anticorpos saudáveis coletados de doadores. A terapêutica ajuda a neutralizar os anticorpos autoimunes que estão atacando os nervos.
O paciente também pode ser submetido a plasmaférese. Um procedimento responsável por filtrar o sangue e remover o plasma, onde estão contidos anticorpos nocivos. Depois disso, ele é substituído por plasma de doador ou substitutos.
Além das terapias imunológicas, o paciente precisa de cuidados de suporte. Por isso é preciso fazer o monitoramento intensivo da respiração, pressão arterial e ritmo cardíaco. Em algumas situações o paciente pode entrar em suporte ventilatório.
Para recuperar a força muscular e a mobilidade, é recomendado fazer fisioterapia e reabilitação com equipe multiprofissional: fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais.
O prognóstico é favorável para a maioria dos casos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a maioria das pessoas se recupera totalmente, mesmo nos casos mais graves.
A recuperação pode ser um processo lento, levando de meses a alguns anos. A maioria dos pacientes consegue voltar a andar seis meses após o início dos sintomas. Uma pequena parcela dos indivíduos pode apresentar sequelas como fraqueza, dormência ou fadiga persistente.
Mesmo com o tratamento adequado, o paciente pode apresentar complicações respiratórias (insuficiência respiratória, embolia pulmonar), arritmias cardíacas e sepse. Elas são um grande sinal de alerta, pois podem levar o paciente a óbito.
A síndrome de Guillain-Barré sintomas se manifesta como uma fraqueza muscular que tipicamente se inicia nas pernas e sobe pelo corpo, acompanhada de dormência e perda de reflexos.
Por ser uma condição que pode evoluir rapidamente para a paralisia dos músculos respiratórios, é fundamental reconhecer os seus sinais de maneira precoce e buscar atendimento médico.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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