Qual o melhor probiótico para candidíase de repetição? E como funciona
Entenda o papel dos probióticos como terapia complementar e conheça as cepas de bactérias benéficas mais estudadas para a saúde íntima.
Aquele desconforto familiar retorna: a coceira, a irritação e a sensação de que, mais uma vez, o ciclo da candidíase está recomeçando. Para muitas mulheres, essa recorrência se torna uma fonte constante de frustração e impacta diretamente sua qualidade de vida.
Quando os tratamentos convencionais parecem não resolver o problema a longo prazo, a busca por alternativas seguras e eficazes se intensifica. Nesse cenário, os probióticos surgem como uma estratégia promissora para quebrar esse ciclo vicioso.
O que é a candidíase de repetição e por que ela acontece?
A candidíase vulvovaginal é uma infecção causada pelo crescimento excessivo de fungos do gênero Candida, principalmente a espécie Candida albicans. Esse fungo habita naturalmente a flora vaginal em equilíbrio com outros microrganismos, como as bactérias do gênero Lactobacillus.
Considera-se um quadro de repetição quando ocorrem quatro ou mais episódios sintomáticos ao longo de um ano. A causa principal para essa recorrência é uma disbiose, ou seja, um desequilíbrio na microbiota vaginal que permite a proliferação descontrolada do fungo.
Diversos fatores podem desencadear esse desequilíbrio, entre eles:
Uso de antibióticos de amplo espectro;
Alterações hormonais (gravidez, uso de contraceptivos, menopausa);
Sistema imunológico enfraquecido;
Estresse crônico;
Diabetes não controlada;
Dieta rica em açúcares e carboidratos simples.
Assim, o problema não está apenas em eliminar o fungo, mas em restaurar o ambiente vaginal para que ele não encontre condições de se multiplicar novamente. O tratamento mais adequado para a sua infecção deve ser determinado por um médico especialista.
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Como os probióticos atuam no combate à candidíase?
Os probióticos agem como reforços para o exército de bactérias benéficas do corpo. No contexto da candidíase, seu principal objetivo é reequilibrar a flora vaginal e intestinal, criando um ambiente hostil para a Candida.
Sua ação ocorre de múltiplas formas:
Produção de substâncias protetoras: os lactobacilos fermentam açúcares e produzem ácido lático, o que ajuda a manter o pH vaginal ácido (entre 3,8 e 4,5). Um ambiente ácido inibe o crescimento de fungos e bactérias patogênicas. Esses lactobacilos são cruciais, pois, além do ácido lático, produzem outros compostos que inibem a capacidade da Candida de causar doenças. O lactato, por exemplo, age como um agente antimicrobiano, auxiliando a manter a tolerância imunológica e a prevenir inflamações sintomáticas na região.
Competição por espaço e nutrientes: ao colonizarem a mucosa vaginal, os probióticos ocupam o espaço físico e consomem os nutrientes que a Candida utilizaria para se proliferar.
Fortalecimento da barreira mucosa: eles ajudam a fortalecer a integridade da parede vaginal, dificultando a adesão do fungo.
Modulação do sistema imune: algumas cepas probióticas podem estimular a resposta imune local, ajudando o próprio corpo a controlar a infecção fúngica.
Vale dizer que a saúde intestinal também está diretamente ligada à saúde vaginal. Um intestino em disbiose pode ser um reservatório de Candida, favorecendo as infecções recorrentes. Por isso, probióticos de uso oral também são fundamentais.
Qual o melhor probiótico para candidíase de repetição: cepas?
A eficácia de um probiótico depende diretamente de sua cepa. Não basta ser um Lactobacillus; é preciso que a cepa específica tenha estudos que comprovem sua ação na saúde vaginal. As mais pesquisadas para essa finalidade estão listadas abaixo.
Cepa Probiótica
Principal Benefício Associado
Lactobacillus rhamnosus (GR-1)
Frequentemente estudado em combinação com o L. reuteri, demonstrou capacidade de colonizar a vagina e inibir o crescimento de Candida. Esta cepa, em conjunto com o Lactobacillus reuteri RC-14, é naturalmente dominante na microbiota vaginal e tem se mostrado capaz de antagonizar e prevenir o supercrescimento de fungos causadores da candidíase.
Lactobacillus reuteri (RC-14)
Atua sinergicamente com o L. rhamnosus, produzindo substâncias antimicrobianas e ajudando a restaurar uma flora saudável. Esta cepa, juntamente com o Lactobacillus rhamnosus GR-1, é naturalmente dominante na microbiota vaginal e pode prevenir o crescimento excessivo de fungos.
Lactobacillus acidophilus
Uma das cepas mais conhecidas, é um forte produtor de ácido lático, fundamental para a manutenção do pH vaginal protetor.
Lactobacillus crispatus
É uma das espécies dominantes na microbiota de mulheres saudáveis, sendo um marcador importante de um ecossistema vaginal equilibrado. Pesquisas indicam que a dominância de Lactobacillus crispatus na vagina está associada a uma menor presença de Candida albicans.
Saccharomyces boulardii
Um tipo de levedura probiótica que demonstrou em estudos a capacidade de inibir o crescimento e a virulência da Candida albicans no intestino.
Muitos suplementos combinam diferentes cepas para obter um efeito mais abrangente e sinérgico. A escolha da melhor formulação depende de uma avaliação individualizada.
Como usar os probióticos de forma segura e eficaz?
Os probióticos para candidíase podem ser encontrados em cápsulas para uso oral ou em óvulos para aplicação vaginal. A via de administração ideal deve ser discutida com um profissional de saúde.
É importante ressaltar que, embora probióticos sejam estudados como tratamentos alternativos para a candidíase recorrente, a ciência atual ainda carece de evidências de alta qualidade para confirmar sua real eficácia e segurança para este fim.
É fundamental entender que os probióticos não são um tratamento de primeira linha para uma infecção ativa, mas sim uma terapia complementar.
Embora possam melhorar a cura da candidíase a curto prazo quando adicionados ao tratamento convencional, eles não são eficazes sozinhos para a prevenção de recorrências de longo prazo.
A consistência é chave. Os probióticos precisam de tempo para colonizar o ambiente e exercer seus efeitos. Siga sempre a recomendação de uso do fabricante e do profissional que o acompanha.
O que mais pode ajudar a prevenir as crises?
Além do uso de probióticos, algumas mudanças no estilo de vida podem fortalecer o corpo contra a candidíase de repetição:
Ajustes na dieta: reduzir o consumo de açúcar, farinhas refinadas e álcool, que servem de "alimento" para o fungo.
Cuidados com a higiene: evite duchas vaginais, sabonetes íntimos agressivos e roupas apertadas ou úmidas por longos períodos.
Gerenciamento do estresse: práticas como meditação e atividade física regular ajudam a modular o sistema imune.
Fortalecimento da imunidade: certifique-se de que seus níveis de nutrientes como vitamina D e zinco estão adequados, conforme orientação médica.
Quando é fundamental procurar um médico especialista?
A automedicação nunca é o caminho ideal. É indispensável buscar avaliação médica, preferencialmente de um ginecologista, para obter um diagnóstico correto e um plano de tratamento adequado. Procure um especialista se você:
Apresenta quatro ou mais episódios de candidíase por ano;
Os sintomas não melhoram com os tratamentos usuais;
Está grávida ou tem alguma condição que afeta a imunidade;
Sente dores pélvicas, febre ou apresenta corrimento com odor forte.
Um profissional poderá investigar a causa da recorrência, identificar a espécie de Candida envolvida e indicar a melhor combinação de antifúngicos, probióticos e mudanças de hábito para o seu caso específico.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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