O que fazer em caso de convulsão: veja como e quando agir urgentemente
A informação correta pode proteger e até salvar uma vida. Saiba como prestar os primeiros socorros de forma segura e eficaz.
Imagine a cena: você está em um local público, e de repente, alguém próximo cai e começa a ter tremores intensos pelo corpo. Essa situação, embora assustadora, é mais comum do que se pensa e saber como agir corretamente durante uma crise convulsiva é fundamental para garantir a segurança de quem está passando por ela.
Como posso reconhecer uma crise convulsiva?
Uma convulsão é uma alteração temporária e súbita da atividade elétrica do cérebro. A forma mais conhecida é a crise tônico-clônica, que envolve sintomas mais evidentes. Fique atento a sinais como:
Perda súbita de consciência e queda.
Rigidez muscular em todo o corpo, seguida de tremores ou abalos rítmicos (contrações musculares).
Salivação excessiva ou espuma pela boca.
Respiração ofegante ou ruidosa.
Possível perda de controle da bexiga ou intestino.
É importante ressaltar que nem toda convulsão envolve tremores. Algumas crises, chamadas focais, podem se manifestar com movimentos repetitivos de uma parte do corpo, olhar fixo ou confusão mental, sem a perda total de consciência.
O transtorno neurológico conhecido como epilepsia pode causar convulsões que variam bastante em gravidade, podendo ser quase imperceptíveis ou muito prolongadas e severas.
Neurologistas podem acompanhar o diagnóstico e indicar possíveis tratamentos de acordo com a condição. A Rede Américas possui um corpo clínico renomado atendendo em vários hospitais do Brasil.
O que devo fazer durante uma convulsão: passo a passo
Manter a calma é o primeiro e mais importante passo. Sua tranquilidade permitirá que você ajude a pessoa de forma mais eficaz.
Siga estas orientações:
Proteja a pessoa de lesões: ampare a queda, se possível, e afaste objetos perigosos como móveis, cadeiras ou itens pontiagudos. Coloque algo macio, como um casaco dobrado ou uma almofada, sob a cabeça dela para evitar traumas.
Posicione a pessoa de lado: assim que os abalos musculares diminuírem ou for seguro movê-la, vire-a gentilmente de lado (posição lateral de segurança). Essa posição ajuda a manter as vias aéreas livres, evitando que a pessoa se engasgue com saliva ou vômito.
Afrouxe roupas apertadas: se houver algo apertado ao redor do pescoço, como gravatas ou colares, afrouxe para facilitar a respiração.
Cronometre a duração da crise: use um relógio ou o celular para marcar quanto tempo a convulsão dura. Essa informação é vital para a equipe médica. A maioria das crises dura entre 1 e 3 minutos.
Permaneça ao lado da pessoa: fique com ela até que a crise termine e a consciência seja recuperada. Ofereça palavras calmas e tranquilizadoras quando ela começar a despertar.
O que NUNCA fazer durante uma crise convulsiva?
Existem muitos mitos sobre como agir em uma convulsão que podem ser perigosos. Para garantir a segurança de todos, é fundamental evitar as seguintes ações:
Não tente segurar os movimentos: conter a força dos abalos musculares pode causar fraturas ou lesões musculares na pessoa e em quem tenta ajudar. Apenas garanta que o ambiente ao redor esteja seguro.
Não coloque nada na boca da pessoa: nunca insira dedos, colheres, panos ou qualquer objeto na boca. Isso pode causar lesões graves nos dentes, mandíbula ou gengivas da pessoa, além de risco de mordida para quem ajuda. A crença de que a pessoa pode "engolir a língua" é um mito; anatomicamente, isso não é possível.
Não ofereça água ou medicamentos: durante ou logo após a crise, a pessoa pode não ter controle total da deglutição, o que aumenta o risco de engasgo.
Quando devo chamar uma ambulância (SAMU 192)?
Para pessoas que já têm diagnóstico de epilepsia e possuem medicamentos de resgate prescritos, como sprays nasais de benzodiazepínicos, é recomendado administrá-los o mais cedo possível.
Medicamentos como o lorazepam podem interromper as convulsões se usados no início da crise ou até 30 minutos depois. A administração precoce está associada à redução do número total de convulsões durante o episódio.
Na maioria dos casos, a crise convulsiva cessa por conta própria sem necessidade de intervenção médica imediata.
O socorro de emergência deve ser acionado imediatamente nas seguintes situações:
A convulsão dura mais de 5 minutos ou não para, mesmo após a administração de medicação de resgate.
É a primeira vez que a pessoa tem uma crise convulsiva.
A pessoa tem uma crise atrás da outra, sem recuperar a consciência entre elas.
A pessoa se machucou gravemente durante a queda ou a crise.
A convulsão ocorreu na água.
A pessoa tem dificuldade para respirar ou fica com a pele azulada após a crise.
A pessoa é gestante ou possui alguma condição médica conhecida, como diabetes ou doença cardíaca.
O que acontece depois da convulsão?
Após o término dos tremores, a pessoa entra no chamado período pós-ictal. Nesta fase, é comum que ela se sinta sonolenta, confusa, com dor de cabeça ou dores musculares. A recuperação da consciência pode ser gradual.
Permaneça ao lado dela, explicando de forma calma o que aconteceu. Ajude-a a encontrar uma posição confortável e certifique-se de que ela está respirando normalmente. Mesmo que a emergência não tenha sido acionada, é crucial que a pessoa passe por uma avaliação médica para investigar a causa da convulsão.
Crises convulsivas em crianças e bebês: há diferenças?
Em crianças pequenas, uma causa comum de convulsão é a febre alta, conhecida como convulsão febril. Embora seja uma cena muito angustiante para os pais, geralmente não causa danos cerebrais e tende a desaparecer com a idade.
As orientações de primeiros socorros são as mesmas: proteja a criança, posicione-a de lado e não coloque nada em sua boca. Independentemente da causa, toda primeira crise convulsiva em uma criança ou bebê exige avaliação médica imediata para um diagnóstico preciso.
Buscar ajuda médica imediata é fundamental, especialmente para recém-nascidos, pois crises convulsivas nessa fase estão associadas a potenciais danos cerebrais, problemas de aprendizado e um aumento da probabilidade de desenvolver epilepsia futura.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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