Revisado em: 26/01/2026
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A solidão é a sensação de desconexão entre vínculos desejados e reais; seus efeitos incluem depressão, doenças cardíacas e baixa imunidade

A solidão é um dos sentimentos mais universais e mais isoladores da experiência humana. Longe de ser apenas a ausência física de outras pessoas, ela se manifesta como uma profunda sensação de desconexão e vazio.
Compreender o que é solidão é o primeiro passo para reconhecer seu impacto e buscar o bem-estar. Este sentimento, embora comum, tem sido classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma ameaça urgente à saúde pública. Isso porque a solidão tem a capacidade de afetar a saúde física e mental de forma significativa.
Quando a solidão interfere na qualidade de vida, buscar ajuda é fundamental. Agende sua consulta em um hospital da Rede Américas.
A solidão é definida como um sentimento doloroso que surge da lacuna entre as conexões sociais desejadas e as conexões sociais reais. Sendo considerada assim uma experiência subjetiva. Não se trata de um estado objetivo, mas sim de uma sensação de carência afetiva e de desconexão.
Uma pessoa pode estar rodeada de amigos, familiares ou colegas de trabalho, mas ainda se sentir profundamente solitária. A qualidade ou profundidade das interações pode não corresponder à sua necessidade de pertencimento e intimidade.
De acordo com o relatório da Comissão sobre Conexão Social da Organização Mundial, divulgado em 2025, uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão. O levantamento mostra também que o problema está associado a cerca de 100 mortes a cada hora no mundo. O que representa mais de 871 mil mortes prematuras por ano.
A solidão é diferente de outros estados relacionados à ausência de companhia. Quando se fala em estar sozinho, significa falar de uma falta objetiva de conexões sociais suficientes. Uma pessoa pode estar assim e não sentir solidão. Já outra pode estar em um casamento e se sentir sozinha.
Já a solitude, por exemplo, é estar sozinho por escolha. É considerado um afastamento positivo, para reflexão, descanso mental e autoconhecimento. É um ato de escolha que nutre a mente.
Diferentemente da solidão, que é um estado de sofrimento constante, que acontece pela percepção de que as necessidades de conexão não estão sendo atendidas.
A solidão é causada por uma série de fatores, resultantes de uma complexa interação entre fatores individuais, sociais e ambientais.
Algumas mudanças na vida como a perda de um ente querido e a mudança de cidade ou de emprego podem romper as redes de apoio existentes e desencadear a solidão. Assim como o fim de um relacionamento.
A desconexão emocional, representada pelo sentimento de incompreensão ou por interações superficiais pode levar também a desregulação emocional. A solidão também pode ser tanto causa quanto consequência de quadros como a depressão e ansiedade.
A baixa autoestima, o medo de rejeição e as experiências passadas (traumas, bullying) podem fazer com que os indivíduos evitem interações sociais.
A solidão afeta de maneira desproporcional os jovens e as pessoas em países de baixa e média renda. Segundo o relatório da OMS, entre 17% e 21% dos jovens de 13 a 29 anos disseram se sentir solitários. As taxas mais altas foram observadas em adolescentes.
A porcentagem é ainda maior em indivíduos que vivem em países de baixa renda, chegando a 24%. A taxa é mais que o dobro daquela registrada em países ricos, que é de 11%.
Os grupos minoritários: pessoas com deficiência, refugiados, migrantes, LGBTQIAPN+ e minorias étnicas podem enfrentar discriminação e barreira que dificultam a formação de laços sociais. Assim eles se tornam mais suscetíveis.
A ausência ou ineficácia de políticas públicas e a falta de infraestrutura social (como parques e bibliotecas) também compõem as causas da solidão.
O relatório da OMS também alerta para a necessidade de ter uma vigilância sobre as telas, que podem contribuir para a solidão. O uso excessivo e interações online negativas podem prejudicar a saúde mental e o bem-estar dos jovens.
Falando especificamente do ambiente de trabalho, o home office pode aumentar o distanciamento emocional entre colegas.
Os impactos da solidão crônica se manifestam em níveis psicológicos, comportamentais e físicos. Ela pode até ser chamada de “inimiga silenciosa” da saúde.
Um dos principais sinais e sintomas é o sentimento persistente de tristeza, ansiedade e infelicidade. Em alguns casos mais graves podem haver sentimento de automutilação ou suicídio.
O comportamento também pode mudar, com a adoção de hábitos prejudiciais à saúde, como fumar, comer em excesso ou praticar menos exercícios físicos. A dificuldade em manter ou encontrar um emprego também pode estar presente. Assim como distúrbios do sono e o aumento da inflamação corporal.
A solidão causa aumento no risco de desenvolver doenças cardiovasculares como acidente vascular cerebral (AVC). Além de elevar a probabilidade de ter a pressão sanguínea mais alta (hipertensão).
Pessoas solitárias têm o dobro de probabilidade de desenvolver depressão, diz o relatório da OMS. A falta de apoio emocional e social alimenta o estresse crônico e a ansiedade. Outros riscos também podem ser uma realidade, como o risco aumentado para desenvolver diabetes e declínio cognitivo.
A solidão reduz a capacidade do organismo de combater infecções, pois tem um impacto negativo sobre o sistema imunológico. Por isso o corpo fica mais vulnerável a infecções.
Para lidar com a solidão é preciso fortalecer as conexões sociais e o bem-estar individual. A principal estratégia é buscar investir em relacionamentos autênticos e significativos. A Organização Mundial da Saúde que ações simples e cotidianas podem fazer a diferença.
Uma delas é entrar em contato com um amigo, as outras podem ser cumprimentar um vizinho ou participar de um grupo local com interesses em comum. O fortalecimento da infraestrutura social também cria oportunidade para criar conexões sociais.
Assim como priorizar conversas significativas e estar totalmente presente, deixando o celular de lado.
A prática da autocompaixão também é recomendada. Ser gentil consigo mesmo é importante. O que permite aceitar que a solidão é uma experiência humana comum e não um reflexo de falhas pessoais. Além de ajudar a construir uma resiliência emocional.
O órgão internacional ainda defende que devem haver mudanças nas políticas nacionais para priorizar a conexão social e o fortalecimento de espaços comunitários que facilitem a interação.
Além de intervenções psicológicas através do fornecimento de apoio e serviços para pessoas que se sentem sozinhas.
A solidão é considerada uma emoção humana normal, mas passa a ser considerado um problema de saúde quando é crônica ou está associada a sintomas preocupantes. Por isso, o ideal é buscar ajuda profissional quando a solidão é prolongada e interfere na qualidade de vida.
Assim como quando o sentimento estiver acompanhado de sintomas de depressão (tristeza persistente, perda de interesse) ou ansiedade intensa. Se há pensamentos de automutilação ou suicídio e comportamentos de risco (uso de substâncias, isolamento extremo) também.
Um profissional de saúde mental como o psiquiatra pode ajudar a identificar padrões que prolongam a solidão. Podem também fornecer estratégias para superá-los, auxiliando na reconstrução da autoestima e na criação de conexões saudáveis.
Entender o que é solidão é reconhecer que ela é mais do que a ausência de pessoas. Ela pode ser considerada a dor da desconexão, uma experiência humana comum, mas com impactos reais e graves na saúde.
A solidão é um desafio global, mas não é uma sentença. Ao investir na qualidade das conexões sociais, praticar a autocompaixão e buscar apoio profissional, é possível romper o ciclo do isolamento.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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