Revisado em: 20/02/2026
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A pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pâncreas que exige atenção médica; canetas emagrecedoras podem aumentar o risco quando usadas sem prescrição

A dor abdominal intensa e súbita, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos, pode ser o primeiro sinal de uma condição que exige atenção médica. Entender o que é pancreatite aguda auxilia a reconhecer a gravidade desse quadro inflamatório do pâncreas.
Ela se desenvolve rapidamente e pode evoluir com complicações importantes se não for tratada de forma adequada. O uso de medicamentos sem acompanhamento pode trazer riscos graves. Marque sua consulta em um hospital Rede Américas.
A pancreatite aguda é definida como uma inflamação abrupta do pâncreas que persiste por algumas semanas. Mas ela geralmente cessa após um período de tratamento. A doença se desenvolve rapidamente. Diferentemente da pancreatite crônica, que envolve inflamação persistente e danos permanentes ao órgão.
O tipo agudo ocorre quando as enzimas digestivas são ativadas prematuramente dentro do próprio pâncreas. Normalmente, a ativação ocorre no intestino delgado para auxiliar na digestão dos alimentos.
O processo faz com que o tecido pancreático seja digerido, resultando em inflamação. Em casos mais graves, podem ser causados danos significativos ao órgão e aos tecidos adjacentes. Podendo resultar em falência múltipla dos órgãos.
A relação entre o uso das canetas emagrecedoras e o risco de pancreatite aguda está gerando um alerta nas autoridades de saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) emitiu um alerta de farmacovigilância em 9 de fevereiro de 2026.
O órgão destacou os riscos associados ao uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, que envolvem a dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
A pancreatite aguda já é um efeito colateral previsto nas bulas dos medicamentos, mas o uso fora das indicações aprovadas eleva a incidência de eventos adversos graves. Principalmente para fins de emagrecimento sem acompanhamento médico adequado.
A utilização indiscriminada e sem prescrição pode levar a formas necrotizantes e fatais da doença. No Brasil, de 2020 a dezembro de 2025, conforme a Agência Brasil, foram 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e 6 óbitos suspeitos.
A agência mostra que os registros têm aumentado a cada ano. Eles saltaram de 28 casos em 2024 para 45 no resultado parcial de 2025.
Levando em consideração os riscos, a Anvisa determinou a retenção de receita para a venda desses medicamentos em junho de 2025, conforme a RDC nº 973/2025 e a IN nº 360/2025. A prescrição médica precisa estar em duas vias e a validade é de 90 dias, semelhante ao que ocorre com os antibióticos.
A medida visa proteger a saúde da população, visto que o uso indiscriminado e fora das indicações aprovadas eleva significativamente o risco de efeitos adversos graves, como a pancreatite aguda.
As causas da pancreatite aguda são variadas, mas dentre as mais comuns estão:
São a causa mais frequente. Os cálculos podem bloquear o ducto biliar comum, que também drena o pâncreas, impedindo o fluxo das enzimas pancreáticas e biliares. O que causa o refluxo de bile para o pâncreas, levando à inflamação.
O álcool é uma causa significativa de pancreatite aguda. A forma como causa a pancreatite aguda não é totalmente compreendida. Acredita-se que o álcool estimule a secreção pancreática e cause a ativação prematura das enzimas.
Assim como as canetas emagrecedoras, alguns medicamentos, como diuréticos tiazídicos e certos antibióticos, podem causar pancreatite como efeito colateral.
Infecções como as causadas por vírus como a caxumba, hepatite A e E e citomegalovírus também podem resultar na inflamação. Esse tipo de situação costuma ser considerada rara. Lesões diretas no abdômen podem danificar o pâncreas.
Procedimentos cirúrgicos próximos ao pâncreas ou que afetam o fluxo biliar podem ser um fator de risco. E algumas mutações genéticas podem predispor indivíduos à pancreatite aguda. Além dos níveis elevados de cálcio no sangue e de triglicerídeos.
Os sintomas da pancreatite aguda podem variar em intensidade, mas o mais característico é a dor abdominal intensa. A maioria dos pacientes sente uma dor forte na região superior do abdômen, que pode se irradiar para as costas.
Ela é caracterizada por ser constante, penetrante e pode durar vários dias. Geralmente a sensação é agravada por tosse, movimentos vigorosos e respiração profunda. Além da dor, outros sintomas comuns incluem náuseas e vômitos. O inchaço abdominal também pode ser observado.
Ele pode ocorrer por causa da paralisação do conteúdo intestinal (íleo paralítico). A febre também pode ser uma manifestação clínica. O paciente pode ficar com a pulsação acelerada, entre 100 e 140 batimentos por minuto, e com a respiração rápida e ofegante.
Os dois sintomas juntos podem indicar inflamação pulmonar ou acúmulo de líquido na cavidade torácica. A presença de hipotensão (pressão arterial baixa) é frequente, causando tontura. Em alguns casos, a parte branca dos olhos (esclera) pode ficar amarelada, caracterizando icterícia.
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O diagnóstico da pancreatite aguda passa pela avaliação clínica, exames laboratoriais e de imagem. Nos exames de sangue é feita a dosagem de enzimas pancreáticas, como amilase e lipase. Níveis elevados dessas enzimas frequentemente são indicativos da inflamação.
Outros exames podem incluir hemograma completo, testes de função hepática e renal, e níveis de triglicerídeos e cálcio. Dentre os exames de imagem está a ultrassonografia abdominal. Ela pode identificar os cálculos biliares, uma das causas da doença.
Já a tomografia além de ser utilizada para confirmar o diagnóstico, também avalia a gravidade da inflamação e pode identificar complicações como necrose ou pseudocistos. Sendo ela considerada o exame padrão-ouro. A ressonância também pode ser uma opção, podendo ser usada para obter mais detalhes mais precisos do pâncreas e ductos biliares.
Um outro exame de imagem que pode ser utilizado é a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE). Em alguns casos, pode ser utilizada para diagnosticar e tratar cálculos biliares que estão bloqueando os ductos.
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O tratamento da inflamação muitas vezes exige hospitalização. Ele é focado no suporte e manejo das complicações. O paciente é mantido em jejum para permitir que o pâncreas “descanse” e minimize a secreção de enzimas digestivas.
A nutrição pode acontecer por via intravenosa ou por sonda nasoenteral (sonda ligada do nariz ao intestino). A reposição de líquidos por via intravenosa é fundamental para manter a hidratação e a circulação de sangue pelos órgãos.
Ela é necessária porque a inflamação pode levar à perda de fluidos. A administração de analgésicos potentes (geralmente opioides), são administrados para aliviar a dor intensa. Se a pancreatite aguda for causada por cálculos biliares, é possível que seja feita a remoção da vesícula biliar (colecistectomia) ou a remoção dos cálculos.
Em casos de hipertrigliceridemia, é preciso tomar medidas para reduzir os níveis de triglicerídeos. Já se um medicamento for a causa, ele deve ser descontinuado. Antibióticos podem ser prescritos em caso de infecção pancreática ou de outras infecções associadas.
Podem surgir complicações como pseudocistos pancreáticos (coleções de líquido), necrose pancreática (morte de tecido pancreático) ou insuficiência de órgãos, em quadros graves. O tratamento dessas complicações pode envolver drenagem de pseudocistos, cirurgia para remover tecido necrosado ou suporte para a falência de órgãos.
A pancreatite aguda é uma condição séria que exige reconhecimento e intervenção rápidos. O diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o acompanhamento médico são fundamentais para evitar complicações graves.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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