Imunoterapia: como é feito o tratamento que usa seu corpo contra o câncer?
Saiba como funciona a aplicação dos medicamentos, a frequência das sessões e o ambiente hospitalar neste guia sobre a imunoterapia.
Resuma este artigo com IA:
Acompanhe nossos conteúdos com prioridade no Google

Receber a indicação de um tratamento oncológico pode gerar muitas dúvidas. Ao ouvir o termo "imunoterapia", é natural que você se pergunte sobre o processo, como será o seu dia a dia e o que esperar das sessões. Entender a logística do tratamento de imunoterapia é um passo fundamental para trazer mais segurança e tranquilidade a essa jornada.
Oncologistas são os especialistas que podem indicar esse tipo de tratamento e fazer o devido acompanhamento. A Rede Américas conta com especialistas renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.
O que é imunoterapia e como ela age no organismo?
A imunoterapia é uma modalidade de tratamento contra o câncer que utiliza o próprio sistema de defesa do corpo para combater a doença. Seu principal objetivo é ativar o sistema imune, especialmente as células T, para que reconheçam e destruam as células cancerosas, o que pode ser feito com a administração intravenosa de medicamentos.
Em vez de atacar o tumor diretamente com agentes químicos, como na quimioterapia, os medicamentos imunoterápicos alteram a complexa comunicação entre o tumor e o sistema imunológico, ensinando o organismo a reconhecer e atacar as células malignas.
Muitas células tumorais desenvolvem mecanismos para se "camuflar" e passar despercebidas pelo sistema imune, usando sinais como PD-1/PD-L1 para "desligar" o ataque das células de defesa. A imunoterapia, especialmente aquela baseada em inibidores de "checkpoint" imune (ICI), age bloqueando esses disfarces com anticorpos monoclonais. Isso reativa a ação dos linfócitos T contra o tumor, restabelecendo a capacidade natural do corpo de se defender.
A eficácia deste tratamento reside na capacidade de ajudar as células T e os macrófagos, que são células de defesa cruciais, a se tornarem mais ativos e potentes contra o câncer, potencializando o ataque ao tumor.
Qual a diferença em relação à quimioterapia?
A principal diferença está no alvo. A quimioterapia tradicional atua sobre todas as células do corpo que se dividem rapidamente, o que inclui tanto as células do câncer quanto células saudáveis, como as da raiz do cabelo e do trato digestivo. Isso explica alguns de seus efeitos colaterais mais conhecidos.
Já a imunoterapia tem uma ação mais específica. Ela foca em modular a resposta imune. Por isso, seus efeitos colaterais costumam ser de natureza diferente, geralmente ligados a uma inflamação resultante da ativação do sistema de defesa.
Leia também: A imunoterapia faz os cabelos caírem?
Como a imunoterapia é aplicada na prática?
O processo de aplicação é planejado para ser seguro e o mais confortável possível. Ele geralmente ocorre em um ambiente ambulatorial, como uma clínica de infusão ou um centro oncológico, sem a necessidade de internação prolongada.
O ambiente da sessão de tratamento
Ao chegar para a sessão, você será acolhido por uma equipe de enfermagem especializada em oncologia. O local costuma ser uma sala com poltronas confortáveis, onde outros pacientes também podem estar recebendo seus tratamentos. O objetivo é criar um ambiente calmo e de suporte durante todo o processo.
Principais vias de administração
A forma como o medicamento é administrado depende do tipo de imunoterápico e do protocolo definido pelo seu oncologista. As vias mais comuns são:
- Intravenosa (IV): é a mais frequente. O medicamento é diluído em soro e aplicado diretamente na veia, através de um cateter.
- Subcutânea: o medicamento é aplicado por meio de uma injeção no tecido adiposo, logo abaixo da pele, geralmente na região do abdômen ou braços.
- Oral: alguns imunoterápicos estão disponíveis em forma de cápsulas ou comprimidos.
- Tópica: para certos tipos de câncer de pele, o medicamento pode vir em forma de creme para aplicação local.
Leia também: Veja quais são os tipos de imunoterapia
O passo a passo da infusão intravenosa
Sendo a via mais comum, a infusão intravenosa segue um protocolo rigoroso para garantir a segurança do paciente. O processo geralmente envolve as seguintes etapas:
- Acesso venoso: um enfermeiro irá puncionar uma veia, geralmente no braço ou na mão. Em alguns casos, pacientes em tratamento prolongado podem ter um cateter semi-implantado para facilitar as aplicações.
- Administração: a medicação é conectada ao acesso venoso e a infusão começa, controlada por uma bomba que garante a velocidade correta de gotejamento.
- Monitoramento: durante toda a aplicação, a equipe de enfermagem monitora seus sinais vitais, como pressão arterial e frequência cardíaca, e observa qualquer sinal de reação adversa.
- Finalização: ao término da infusão, o acesso é retirado e você permanecerá em observação por um período antes de ser liberado.
Qual é a duração e a frequência das sessões?
A programação do tratamento de imunoterapia é altamente individualizada. A duração de cada sessão e o intervalo entre elas são definidos pelo oncologista com base no tipo de câncer, no medicamento utilizado e na resposta do seu organismo.
Entendendo os ciclos de tratamento
A imunoterapia é administrada em ciclos. Um ciclo corresponde a um período de tratamento seguido por um período de descanso. Essa pausa é importante para permitir que o corpo se recupere e que o sistema imunológico responda ao estímulo do medicamento.
A frequência pode variar bastante. Alguns protocolos preveem aplicações a cada duas, três, quatro ou até seis semanas. A duração total do tratamento também é variável, podendo se estender por meses ou até anos, dependendo da evolução da doença.
Quanto tempo dura cada aplicação?
A duração da infusão em si também muda conforme o fármaco. Algumas aplicações são rápidas, levando cerca de 30 minutos. Outras podem ser mais longas, estendendo-se por algumas horas. A equipe médica informará previamente o tempo estimado para cada uma das suas sessões.
Como a equipe médica acompanha os resultados?
O acompanhamento da eficácia da imunoterapia é feito de perto pela equipe oncológica. Para avaliar como o tumor está respondendo ao tratamento, são realizados exames periódicos, que podem incluir:
- Exames de imagem: como tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) ou PET-scan.
- Exames de sangue: para avaliar marcadores tumorais e a função de órgãos como fígado e rins.
É fundamental que você comunique ao seu médico qualquer sintoma ou efeito colateral que sinta durante o tratamento. Esse diálogo aberto permite que a equipe faça ajustes e ofereça o suporte necessário para garantir sua qualidade de vida.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
- BENOIT, A. et al. Lighting up the fire in the microenvironment of cold tumors: a major challenge to improve cancer immunotherapy. Cells, [S. l.], v. 12, n. 13, 2023. Disponível: https://www.mdpi.com/2073-4409/12/13/1787. Acesso em: 03 fev. 2026.
- CHEN, D. et al. Pan-cancer analysis implicates novel insights of lactate metabolism into immunotherapy response prediction and survival prognostication. Journal of Experimental & Clinical Cancer Research : CR, [S.l.], 25 abr. 2024. Disponível: https://link.springer.com/article/10.1186/s13046-024-03042-7. Acesso em: 03 fev. 2026.
- COTTRELL, T. R. et al. Society for Immunotherapy of Cancer (SITC) consensus statement on essential biomarkers for immunotherapy clinical protocols. Journal for Immunotherapy of Cancer, mar. 2025. Disponível: https://jitc.bmj.com/content/13/3/e010928. Acesso em: 03 fev. 2026.
- LU, Q. et al. Nanoparticles in tumor microenvironment remodeling and cancer immunotherapy. Journal of Hematology & Oncology, 02 abr. 2024. Disponível: https://link.springer.com/article/10.1186/s13045-024-01535-8. Acesso em: 03 fev. 2026.
- MA, Y. et al. The role of circular RNAs in regulating resistance to cancer immunotherapy: mechanisms and implications. Cell Death & Disease, [S.l.], maio 2024. Disponível: https://www.nature.com/articles/s41419-024-06698-3. Acesso em: 03 fev. 2026.






