Revisado em: 09/01/2026
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A gestação é um período de grandes transformações. Entenda a diferença entre a preocupação natural e um quadro que exige acompanhamento médico

O coração acelera de repente, o ar parece faltar e uma onda de medo intenso toma conta, sem um motivo aparente. Para muitas gestantes, essa cena se torna familiar. Embora um certo nível de preocupação seja esperado durante a gravidez, as crises de ansiedade são um sinal de que a saúde mental precisa de atenção e cuidado especializado.
É natural sentir-se ansiosa com as mudanças no corpo, a saúde do bebê ou a proximidade do parto. Essa é uma ansiedade adaptativa, que prepara a mente para as novas responsabilidades. A preocupação se torna um problema quando é desproporcional, constante e começa a prejudicar a qualidade de vida.
Uma crise de ansiedade, também conhecida como ataque de pânico, é um episódio agudo e intenso de medo ou mal-estar, que atinge um pico em poucos minutos.
Diferente da preocupação cotidiana, ela pode surgir subitamente e é acompanhada por fortes reações físicas e emocionais. Caso isso aconteça, procure atendimento médico especializado. Na Rede Américas você pode ser atendido em todo o Brasil.
Compreender os limites entre a normalidade e o transtorno é o primeiro passo. Observe a frequência e a intensidade dos sintomas.
A gestação é um período de vulnerabilidade emocional por uma combinação de fatores. Compreender suas causas ajuda a desmistificar o sentimento de culpa que muitas mulheres sentem.
A ansiedade persistente e não tratada vai além do sofrimento emocional. O estresse crônico leva à liberação de hormônios como o cortisol, que, em níveis elevados e constantes, pode atravessar a barreira placentária.
A combinação de ansiedade e depressão durante a gestação pode atuar como um gatilho biológico ainda mais intenso. Essa situação está ligada a aumentos mais expressivos nos níveis de cortisol e inflamação no corpo da mãe.
Estudos publicados em periódicos científicos, como os disponíveis na base de dados da SciELO (Scientific Electronic Library Online), sugerem que altos níveis de estresse materno podem estar associados a complicações obstétricas. Entre os possíveis riscos, destacam-se o parto prematuro e o baixo peso do bebê ao nascer.
É importante esclarecer que o bebê não "sente" a emoção da ansiedade como um adulto. No entanto, ele é exposto às alterações fisiológicas do corpo da mãe, como o aumento da frequência cardíaca e a circulação de hormônios do estresse.
Além disso, a ansiedade materna intensa durante a gestação tem sido associada a uma maior irritabilidade do bebê nos primeiros meses de vida. Esse cenário pode, inclusive, aumentar o risco de a criança desenvolver ansiedade ou depressão na infância.
Estudos também apontam que a ansiedade e o estresse percebidos pela mãe no início da gravidez, nos primeiro e segundo trimestres, podem estar relacionados a resultados cognitivos menos favoráveis para o bebê. O impacto tende a ser mais significativo quando a exposição ocorre nesses períodos iniciais do que em fases mais avançadas da gestação.
Adicionalmente, a exposição da gestante a certas substâncias tóxicas do ambiente, como o chumbo e alguns pesticidas organoclorados (DDE), pode impactar o desenvolvimento futuro da criança. Essa exposição pode aumentar em até 1,41 vezes a chance de o filho desenvolver sintomas elevados de ansiedade na fase adulta jovem.
Existem diversas estratégias validadas que podem ser adotadas para gerenciar a ansiedade de forma segura para a mãe e o bebê.
O ideal é combinar técnicas de alívio imediato com mudanças no estilo de vida a longo prazo. É fundamental que qualquer abordagem seja discutida com o obstetra responsável pelo pré-natal.
Quando sentir que uma crise está começando, tente estas abordagens:
Desenvolver recursos psicológicos como a autoeficácia e a resiliência também são estratégias valiosas a longo prazo.
A autoeficácia é a confiança na própria capacidade de alcançar objetivos, e a resiliência é a habilidade de se adaptar a mudanças e adversidades. Ambas funcionam como fatores protetores que ajudam a aliviar e prevenir os sintomas de ansiedade durante a gravidez.
Conversar sobre seus medos e inseguranças é essencial. Divida seus sentimentos com seu parceiro ou parceira, familiares e amigos de confiança.
Participar de grupos de apoio para gestantes, sejam eles presenciais ou online, também pode ser muito reconfortante, pois permite a troca de experiências com outras mulheres que vivem a mesma fase.
A auto-observação é crucial. Não hesite em procurar seu obstetra ou um profissional de saúde mental se a ansiedade:
O tratamento da ansiedade na gravidez deve ser sempre individualizado e conduzido por uma equipe multidisciplinar, incluindo obstetra, psicólogo e, se necessário, psiquiatra.
A psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), é considerada uma abordagem de primeira linha e muito segura. Ela ajuda a gestante a identificar e a modificar os padrões de pensamento e comportamento que alimentam a ansiedade.
Em casos mais graves, o uso de medicamentos pode ser considerado. A decisão de iniciar um tratamento farmacológico é feita após uma avaliação rigorosa dos riscos e benefícios pelo médico, que escolherá as opções mais seguras para a gestação. Nunca se automedique ou interrompa um tratamento sem orientação profissional.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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