Como saber se tenho alergia a glúten? Veja quais os sintomas e exames pedidos
A suspeita de uma reação adversa ao glúten é cada vez mais comum. Entenda os sinais do seu corpo e os passos para um diagnóstico seguro
Resumo
Os sintomas ligados ao glúten podem ser digestivos (inchaço, diarreia) ou extradigestivos (fadiga, dores de cabeça, lesões de pele)
Existem três condições principais: alergia ao trigo, doença celíaca e sensibilidade ao glúten não celíaca, cada uma com um mecanismo diferente
O diagnóstico correto depende de uma avaliação médica detalhada, que pode incluir exames de sangue e, em alguns casos, endoscopia com biópsia
Não se deve retirar o glúten da alimentação por conta própria antes de realizar os exames, pois isso pode mascarar os resultados
Apenas um profissional de saúde, como um gastroenterologista, pode confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento adequado
Aquele pão no café da manhã ou a macarronada de domingo parecem ser os gatilhos para um desconforto que insiste em aparecer?
Se essa cena é familiar, você pode estar se perguntando se tem algum tipo de reação ao glúten. Essa suspeita é o primeiro passo, mas entender o que realmente acontece no seu corpo exige informação e orientação profissional.
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Hospital Paraná
Av. Dr. Luiz Teixeira Mendes, 1929 - Zona 05, Maringá - PR, 87015-000
O que é o glúten e por que ele pode causar problemas?
O glúten é um complexo de proteínas encontrado em cereais como o trigo, a cevada e o centeio. Ele é responsável pela elasticidade e maciez de massas de pães, bolos e pizzas. Para a maioria das pessoas, o consumo de glúten não representa problema algum.
Para um grupo de indivíduos, o sistema imunológico pode reagir de forma inadequada a essas proteínas, desencadeando uma série de sintomas e condições de saúde que variam em intensidade e natureza. É fundamental diferenciar essas reações para obter o diagnóstico e o manejo corretos.
Quais são os principais sintomas associados ao glúten?
As manifestações clínicas podem ser bastante diversas, o que muitas vezes dificulta a associação direta com o consumo de glúten. Elas são classicamente divididas em dois grandes grupos.
Sintomas digestivos
Estes são os mais conhecidos e frequentemente relatados. A pessoa pode experimentar um ou mais dos seguintes sinais após a ingestão de alimentos com glúten:
Inchaço ou distensão abdominal (sensação de "barriga estufada")
Excesso de gases
Dores na região do abdômen
Diarreia crônica ou episódios de constipação (prisão de ventre)
Náuseas e, em alguns casos, vômitos
Fezes com aspecto gorduroso e odor mais forte (esteatorreia)
Sintomas extradigestivos ou sistêmicos
Muitas vezes, os sinais de que algo não vai bem extrapolam o sistema digestivo. O corpo pode manifestar o problema de outras formas, como:
Fadiga crônica: um cansaço persistente que não melhora com o repouso.
Dores de cabeça: enxaquecas recorrentes podem estar associadas
Problemas de pele: lesões como dermatite herpetiforme (bolhas que coçam intensamente), eczema ou psoríase
Dores articulares e musculares: inflamação que causa dor sem uma lesão aparente.
Sintomas neurológicos: dificuldade de concentração ("névoa mental"), tontura, formigamento em braços e pernas. Para pessoas com condições autoimunes relacionadas ao glúten, podem surgir sintomas como falta de equilíbrio e espasmos
Problemas no fígado: a doença celíaca pode causar problemas hepáticos além dos desconfortos digestivos
Alterações de humor: episódios de ansiedade ou depressão
Anemia por deficiência de ferro: causada pela má absorção de nutrientes no intestino
Alergia, doença celíaca ou sensibilidade: qual a diferença?
Embora os sintomas possam ser parecidos, os termos "alergia a glúten", "doença celíaca" e "sensibilidade ao glúten" não são sinônimos. Eles descrevem três condições distintas com mecanismos diferentes.
Característica
Alergia ao Trigo
Doença Celíaca
Sensibilidade ao Glúten Não Celíaca (SGNC)
O que é?
Reação alérgica mediada por anticorpos IgE
Doença autoimune crônica
Reação adversa sem base alérgica ou autoimune conhecida
Mecanismo
O sistema imune ataca as proteínas do trigo como se fossem uma ameaça imediata
O glúten ativa uma resposta imune que ataca e danifica as vilosidades do intestino delgado. Essa condição pode levar a problemas neurológicos e no fígado, além dos desconfortos digestivos
Mecanismo ainda não totalmente esclarecido; diagnóstico de exclusão
Velocidade dos Sintomas
Rápida, de minutos a poucas horas após a ingestão
Variável, pode levar horas, dias ou até semanas para se manifestar
Geralmente de horas a alguns dias após o consumo
Diagnóstico
Testes cutâneos de alergia e exames de sangue para IgE específico
Exames de sangue para anticorpos específicos (anti-transglutaminase, anti-endomísio) e biópsia intestinal
Exclusão de doença celíaca e alergia ao trigo; melhora dos sintomas com a retirada do glúten
Como saber se tenho alergia a glúten?
Autodiagnosticar-se com base em sintomas é arriscado e pode levar a restrições alimentares desnecessárias. Para um diagnóstico seguro e preciso, é fundamental realizar exames que identifiquem marcadores biológicos específicos, o que ajuda a diferenciar doenças e confirmar a causa dos sintomas.
Apenas um médico, preferencialmente um gastroenterologista, pode conduzir a investigação de forma segura. O diagnóstico correto exige a exclusão de outras condições, por meio de exames de sangue ou biópsia, monitorando sintomas como estufamento, gases, fadiga e dores.
O papel da avaliação clínica
O primeiro passo é uma conversa detalhada com o médico. Ele irá investigar seu histórico de saúde, seus hábitos alimentares e a natureza dos seus sintomas: quando começaram, com que frequência ocorrem e qual a intensidade.
Exames de sangue: a busca por anticorpos
Para a suspeita de doença celíaca, o médico solicitará exames de sangue que medem a presença de anticorpos específicos. Os mais comuns são o anticorpo antitransglutaminase tecidual (anti-tTG) e o anti-endomísio (EMA).
A detecção desses anticorpos é fundamental para o diagnóstico da disfunção e, quando elevados, a suspeita é alta. Exames de sangue para anticorpos antitransglutaminase são relevantes para identificar respostas autoimunes em pacientes que apresentam sintomas neurológicos como falta de equilíbrio e espasmos.
Endoscopia com biópsia: o padrão-ouro para doença celíaca
Para confirmar o diagnóstico, o exame padrão-ouro é a endoscopia digestiva alta. Durante o procedimento, o médico insere um tubo fino com uma câmera pela boca para visualizar o intestino delgado e coletar pequenas amostras de tecido (biópsia).
A análise dessas amostras é essencial para identificar inflamações e lesões nas vilosidades intestinais causadas pelo glúten, revelando características da doença.
A confirmação do diagnóstico também pode ser reforçada pela observação de melhora nos exames bioquímicos e nas biópsias intestinais após o início de uma dieta rigorosamente sem glúten.
Dieta de exclusão: uma ferramenta de investigação
No caso da sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC), não existem biomarcadores específicos. O diagnóstico é feito por exclusão, o que significa que o médico precisa descartar a doença celíaca e a alergia ao trigo, utilizando exames de sangue ou biópsia.
Após a exclusão, pode ser proposta uma dieta onde o glúten é retirado da alimentação por um período. Durante esse tempo, os sintomas como estufamento, gases, fadiga e dores são monitorados para observar se há melhora, o que pode indicar a SGNC.
Por que não se deve retirar o glúten da dieta antes do diagnóstico?
Esta é uma orientação fundamental. Se você parar de consumir glúten antes de realizar os exames de sangue e a biópsia, seu corpo pode parar de produzir os anticorpos e o intestino pode começar a se recuperar.
Isso pode levar a um resultado "falso negativo", dificultando ou até impossibilitando um diagnóstico preciso de doença celíaca. Portanto, mesmo que a suspeita seja forte, continue com sua alimentação habitual até que todos os exames orientados pelo seu médico sejam concluídos.
Quando devo procurar um médico?
É hora de agendar uma consulta se você apresenta um ou mais dos seguintes cenários:
Sintomas digestivos recorrentes e sem causa aparente.
Presença de sintomas extradigestivos, como fadiga crônica ou problemas de pele, associados a desconforto abdominal.
Anemia por deficiência de ferro que não responde ao tratamento convencional.
Histórico familiar de doença celíaca.
Identificar a causa do problema é o caminho mais seguro para o alívio dos sintomas e para garantir uma vida com mais qualidade e bem-estar. O acompanhamento profissional é indispensável nesse processo.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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