Resuma este artigo com IA:
Entenda como a medicina classifica a evolução do transtorno depressivo e por que o modelo popular nem sempre se aplica

Começa com um cansaço que a noite de sono não resolve. Depois, atividades que antes traziam prazer se tornam indiferentes. Esse sentimento de vazio e tristeza persistente pode ser o início de um quadro depressivo, uma condição de saúde mental complexa que afeta milhões de pessoas e que evolui em diferentes níveis de intensidade.
É importante entender que o Transtorno Depressivo Maior (TDM) se desenvolve de maneira gradual. Ele pode começar com estados subclínicos, antes de se manifestar em sua forma mais evidente. Isso ressalta a importância da intervenção precoce. A procura por um especialista é importante para o diagnóstico precoce.
É muito comum encontrar informações sobre as "cinco fases da depressão", descritas como negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. No entanto, é fundamental esclarecer uma confusão recorrente: este modelo não descreve a progressão do transtorno depressivo maior como doença, mas sim os estágios emocionais do luto.
Proposto pela psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, esse modelo explica como uma pessoa tende a processar uma perda significativa, como a morte de um ente querido ou um diagnóstico terminal.
A depressão, nesse contexto, é uma das etapas reativas à perda, e não a doença em si evoluindo por fases pré-determinadas. É fundamental distinguir entre uma tristeza passageira e um transtorno depressivo completo.
A ideia de que a depressão avança em estágios simples pode levar a diagnósticos incorretos ou tratamentos desnecessários, especialmente em pessoas mais velhas.
Do ponto de vista clínico, a depressão não segue as fases do luto. Profissionais de saúde mental, baseados em manuais diagnósticos como o DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), classificam o transtorno depressivo principalmente pela sua intensidade e impacto na funcionalidade do indivíduo. A classificação mais utilizada divide o quadro em três estágios principais.
A progressão da depressão é mais bem compreendida como um espectro de gravidade. Cada estágio apresenta um conjunto de sintomas que afetam o dia a dia de maneira distinta, exigindo diferentes abordagens terapêuticas.
Na fase inicial, os sintomas podem ser sutis e, muitas vezes, confundidos com tristeza comum ou estresse. A pessoa ainda consegue manter suas atividades diárias, mas com um esforço consideravelmente maior. Os sinais incluem:
Neste estágio, os sintomas se intensificam e o impacto na rotina se torna evidente. O sofrimento é significativo e a capacidade de trabalhar, estudar ou manter relações sociais fica comprometida. Além dos sintomas da fase leve, podem surgir:
O tratamento neste nível geralmente combina psicoterapia com acompanhamento psiquiátrico para avaliar a necessidade de intervenção medicamentosa.
Esta é a fase mais incapacitante e perigosa da doença. Os sintomas são intensos e podem incluir elementos psicóticos, como delírios ou alucinações. O prejuízo funcional é severo, e a pessoa pode ser incapaz de realizar tarefas básicas de autocuidado.
O risco de suicídio é uma preocupação central neste estágio. A presença de ideação suicida, planejamento ou pensamentos recorrentes sobre a morte são sinais de alerta máximos que exigem intervenção médica imediata.
Pessoas diagnosticadas com Transtorno Depressivo Maior (depressão grave) apresentaram um risco de mortalidade 30% maior, quando comparadas a indivíduos sem histórico de depressão. Esse dado reforça a urgência de buscar ajuda profissional imediatamente ao identificar esses sinais.
Identificar em que ponto do espectro depressivo uma pessoa se encontra é crucial para definir a estratégia de tratamento mais eficaz. A depressão leve pode, em alguns casos, responder bem apenas à psicoterapia e a mudanças no estilo de vida, como atividade física e higiene do sono.
Já os quadros moderados e graves frequentemente necessitam de uma abordagem combinada, envolvendo psicoterapia e medicamentos antidepressivos. O diagnóstico correto evita que a condição se agrave e permite uma recuperação mais rápida e segura.
O tratamento da depressão é multifatorial e sempre individualizado, conduzido por profissionais de saúde mental. O caminho para a recuperação geralmente segue alguns passos essenciais.
O primeiro passo é uma avaliação completa com um psicólogo ou psiquiatra. O profissional irá investigar os sintomas, sua duração, intensidade e o impacto na vida do paciente para confirmar o diagnóstico e determinar o grau de severidade.
Estudos mostram que o nível de inflamação no corpo, medido por fatores periféricos, está intimamente ligado à gravidade da depressão. Entender esses marcadores pode ajudar a prever como a doença pode evoluir, tornando-se crucial para um diagnóstico mais preciso e um tratamento personalizado.
A psicoterapia é um pilar no tratamento da depressão. Abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ajudam o paciente a identificar e modificar padrões de pensamento e comportamento negativos que contribuem para o quadro depressivo.
Em casos moderados a graves, o psiquiatra pode indicar o uso de medicamentos antidepressivos. Esses fármacos atuam no reequilíbrio de neurotransmissores cerebrais associados ao humor.
É vital que seu uso seja feito sob rigorosa prescrição e acompanhamento médico, pois a escolha do medicamento e o ajuste de dose são processos delicados. A depressão pode ser uma doença persistente, e em alguns casos, resistente aos tratamentos iniciais.
É comum que pacientes precisem de diferentes abordagens terapêuticas ao longo do tempo, especialmente quando os sintomas não respondem a dois ou mais medicamentos.
A depressão é uma condição tratável, mas em sua forma grave, representa um risco à vida. Busque ajuda de emergência ou contate o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo número 188 se você ou alguém que você conhece apresentar os seguintes sinais:
A jornada para superar a depressão pode ser desafiadora, mas é importante lembrar que não precisa ser solitária. O apoio profissional é o caminho mais seguro para a recuperação e o restabelecimento da qualidade de vida.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
ABOUMRAD, M.; JOSHU, C.; VISVANATHAN, K. Impact of major depressive disorder on breast cancer outcomes: a national retrospective cohort study. JNCI Journal of the National Cancer Institute, 12 nov. 2024. DOI: https://doi.org/10.1093/jnci/djae287. Acesso em: 18 dez. 2025.
CUI, L. et al. Major depressive disorder: hypothesis, mechanism, prevention and treatment. Signal Transduction and Targeted Therapy, 9 fev. 2024. DOI: https://doi.org/10.1038/s41392-024-01738-y. Acesso em: 18 dez. 2025.
DEAN, R. L. et al. Ketamine and other glutamate receptor modulators for depression in adults with unipolar major depressive disorder. The Cochrane Database of Systematic Reviews, [S. l.], 12 set. 2021. DOI: https://doi.org/10.1002/14651858.CD011612.pub3. Acesso em: 18 dez. 2025.
SU, W. J.; HU, T.; JIANG, C. L. Cool the inflamed brain: a novel anti-inflammatory strategy for the treatment of major depressive disorder. Current Neuropharmacology, 2023. DOI: https://doi.org/10.2174/1570159X21666230809112028. Acesso em: 18 dez. 2025.
THE ‘discontinuity hypothesis’ of depression in later life—clinical and research implications. Age and Ageing, [S.l.], dez. 2023. DOI: https://doi.org/10.1093/ageing/afad239. Acesso em: 18 dez. 2025.
NAVEGUE PELAS NOSSAS UNIDADES